Sinceramente, ninguém se conhece de verdade.
Teorizamos muito bem. Gostamos muito de parecer (e aparecer). Somos mestres em diminuir certas coisas em nós e aumentar outras, que julgamos certas. Escondemos, fingimos, mas sofremos com a luta que travamos com um certo “eu” que não queremos ser. É estranho, mas é assim. Convivemos com o “eu” que fomos, e que teima em nos visitar em flashes da memória culpada e com o “eu” que sonhamos ser, escondido nos sonhos mais secretos e egoístas que temos. O “eu” que somos (ou pensamos ser) parece perdido em meio aos tempos verbais. Parece nem existir. É tão transitivo, tão afetado, tão superficial. Situações novas sempre revelam um “eu” novo que, às vezes, desmente tudo o que dizemos ser. Isso é estranhamente perigoso. Quantas vezes nos desconhecemos! assombra imaginar quantos “eus” calados inda existem por dentro.
Tremo ao pensar em como gasto meu dinheiro, pois isso responde onde está meu coração.
Tremo ao revisar meus passa-tempos, pois somos o que fazemos quando não temos nada para fazer.
Tremo ao perceber o que me faz sorrir, pois isso desmascara meus preconceitos.
Quem eu fui é inalterável. Quem serei não existe. Quem eu sou? Não sei ao certo, mas esse silêncio não machuca tanto quanto o grito da distância que existe entre mim e quem eu preciso ser.
Quem é você?




O QUE FAZER AGORA?!