‘Extra-ordinário’: o cotidiano revisto

Ler jornais todos os dias é tarefa árdua. Não somente pela quantidade de informação, mas pela necessidade que existe de tornar algo em ‘extra-’. Como dizia Flaubert: “é preciso pintar bem o medíocre”. Pequenos acontecimentos são pintados com cores vibrantes e quando os grandes eventos realmente acontecem, as cores são ‘super’ vibrantes!

O resultado desse excesso de “cores” é o costume. É como ouvir um acorde desafinado em uma música. Nas primeiras vezes nossa audição acusa prontamente o acorde ou nota fora do tom, mas com a repetição insistente, quase não percebemos nada.

No dia-a-dia o perigo disso é a banalização e o endurecimento do coração. Notícias como a morte de 13 pessoas em um dia em decorrência da dengue no Rio de Janeiro não geram nada mais do que um leve susto pelo número. Acidentes só chamam a atenção quando envolvem alguma história muito peculiar ou muitas mortes.

Tudo isso acaba por afetar diretamente nossas relações com os mais próximos e com D-s. Somente os grandes eventos nos fazem ouvir a voz do Criador. Somente grandes crises nos fazem olhar as necessidades dos que nos rodeiam.

Hoje, no entanto, olhe para o comum e redescubra o valor e o sentimento de pequenos atos como uma oração no elevador ou um abraço familiar no fim do dia.

2 Comentários

  1. Joel escreveu no dia 29 Abril, 2008 | Permalink

    Sempre pensei da mesma forma, é incrível ver como notícias aterrorizantes que nos transportam diretamente para Mateus 24, hoje em dia não passam de mais uma pra esperar a hora do esporte!

  2. Daniele escreveu no dia 10 Maio, 2008 | Permalink

    Hoje realmente recebemos mil informações ao mesmo tempo, e não temos tempo nem de pensar profundamente sobre os fatos.
    Quando estamos ainda assustados com uma notícia vem outra ainda pior, e assim nos acostumam a um cotidiano de melodias dissonantes.
    Temos que ser insatisfeitos!!
    Insatisfeitos com esse mundo e todas as coisas que vem dele.
    Não se pode chorar a cada morte ocorrida, mas devemos oferecer um sorriso a quem precisa, um ombro, um acalento, essa é nossa função, e não simplismente sermos indiferentes e pensar:
    - aconteceu mais uma vez!

    Sou insatisfeita!!

    (artigo nota 10)

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