Jeitinho nosso de cada dia: corrupção e individualismo em pequenas ações

Você já ‘furou’ alguma fila? Já deixou alguém guardando lugar em um evento? Já ‘cortou’ uma ou mais faixas de trânsito para fazer uma conversão? Ou chegou atrasado a algum banco, programa, etc., e pediu ‘por favor’ para que o porteiro te deixasse entrar?

O fato é que 63% dos brasileiros são adeptos cotidianos do chamado ‘jeitinho’, isso segundo a Pesquisa Social Brasileira, feita por Alberto Carlo de Almeida, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Esse número, de acordo com a pesquisa, sobe para 70% entre os brasileiros com curso superior.

Esse comportamento evidencia algumas nuances importantes da sociedade em que vivemos. Em primeiro lugar, é uma explicação simples (ou simplificada) do por quê a não é punida, ou você leu que alguém de alguma das recentes ‘máfias’ (sanguessugas, cartões corporativos, ONGs, mensalão, ‘mensalinho’, etc.) foi preso? Em segundo lugar, sublinha uma das características mais marcantes do ser humano: o individualismo. “A minha necessidade é mais importante do que a dos outros, por isso preciso cortar pela direita uma conversão à esquerda no trânsito”. “Meus motivos para atrasar são reais e justos, mais do que o dos outros”.

É óbvio que não é isto que dizemos ou pensamos, mas é o que acontece. Quando você ou eu damos um ‘jeitinho’, por menor que seja, e mais inofensivo, estamos sendo individualistas e corruptos. O nosso ‘jeitinho’ de cada dia é um câncer social. Ele alimenta mais e mais ações dessa natureza, gerando a famosa frase: “todo mundo faz”. Exigir correção dos outros é mais complicado se temos as nossas próprias ‘sujeirinhas’ escondidas.

Paulo, escrevendo aos Coríntios diz: “pois zelamos pelo que é honesto, não somente diante do Senhor, mas também diante dos homens” (II Coríntio 8:21). Assim, nosso proceder deve ser honesto em todo o tempo, de todas as maneiras, ainda que isto signifique perda pessoal.

Substitua o “’jeitinho’ nosso de cada dia” por uma conduta honesta e íntegra diante de D-s* e dos homens.

*maneira respeitosa de tratar a nomenclatura divina

Um Comentário

  1. f.tonasso escreveu no dia 31 Maio, 2008 | Permalink

    obrigado pela reflexão. o “pano de fundo” desses “jeitinhos” é preocupante. questionar é para poucos, e em poucos momentos. seu texto nos motiva nesse processo.

    li esses dias de um tal de Montapert: “O carácter é a soma de milhares de pequenos esforços para viver de acordo com o que de melhor há em nós.”

    minhas pergunta é: e o que há de melhor em nós?

    abraço edson

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