pais e filhos

“você culpa seus por tudo, isso é absurdo. são crianças como você. o que você vai ser quando você crescer?”. é com essa frase que renato russo (legião urbana) encerra o conflito da música que dá título a este texto. o questionamento da autoridade familiar é tema de discussão milenar. na atualidade, temos o que um famoso psicanalista (Charles Melman) definiria como: a “nova economia psíquica”. nela, pai e mãe têm suas atribuições confundidas, a figura paterna é extinguida e o futuro da sociedade comprometido.

não sou fã de telejornal, mas não pude deixar de acompanhar o caos familiar retratado nos últimos dias. que, provavelmente, sufocam a filha e decidem jogá-la pela janela num ato “im”pensado de extrema frieza e crueldade. um senhor austríaco de 74 anos que prende a filha no porão de casa por 24 anos, comete abuso sexual freqüente desde que ela tinha 11, engravida-a 7 vezes, queima numa caldeira um dos bebês que não resistiu ao parto e alega motivos como: “minha filha não era fácil de lidar, queria livrá-la das drogas”.

será que já parou para refletir nisso?

em algum momento questionou sua reação ao conhecer estas histórias?

como diria minha avó, isso acontece desde que mundo é mundo. ela tinha razão. crueldade em família é coisa antiga, caim que o diga. mas o que me preocupa é ver o quão normal foi para mim encarar esta realidade e, pior, saber que também sou capaz de realizar atos semelhantes. nas palavras de cândido gomes “é só baixar a guarda por um momento e somos dominados por um estranho mal que há dentro de nós”. não quero falar do mal (essa parte deixo com o cândido), mas refletir sobre a normalidade dele.

se você já se sentiu como eu, bem-vindo ao clube dos insensíveis.

a normalidade desta realidade não pode nos cauterizar ao olhar por de trás da cena. quando encaro o invisível, sou levado a pensar que tenho parte nisso. meu grito e minha oração de hoje é pela sensibilidade. justiça seja feita, mas que eu olhe para os da isabella e tenha desejo de vê-los restaurados, e para o senhor austríaco esperando que receba o tratamento adequado de um ser humano que não soube manter a guarda levantada e desconheceu o invisível. que eu olhe para mim e não me sinta diferente de nenhum deles em sua essência. nem dos , nem do austríaco, nem do renato russo. afinal, se por acaso eu me sentir diferente, quero me lembrar que sou apenas mais um filho tentando escolher o que meu Pai me pede.

“porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (filipenses 2:13).

12 Comentários

  1. Angela Grochenisk escreveu no dia 1 Maio, 2008 | Permalink

    Se a imprensa gastasse todo o tempo que usa com o caso Nardoni pra conscientizar os pais sobre a responsabilidade da educação verdadeira (a que se recebe em casa) poderiamos acreditar em dias melhores.

    Infelizmente estamso mesmo, insensiveis, não queremos ser incomodados, especialmente pela salvação alheia!

  2. rosely escreveu no dia 1 Maio, 2008 | Permalink

    difícil.. mais do que difícil.. parece impossível.. acho que o que temos que fazer mais são correntes de oração..

  3. Paulo R. escreveu no dia 1 Maio, 2008 | Permalink

    Estamos pouco preocupados com a restauração do mundo, parece que queremos o Reino da Glória e esquecemos que temos de influenciar AGORA a sociedade.

  4. Kleydyane Priscilla escreveu no dia 2 Maio, 2008 | Permalink

    Viver no mundo de Hoje realmente é difícil é… tem que rebolar mundo e saber contornar cada situação por mais simples que seja. E espelharmos o Caráter de Cristo é quase que impossível. Mas nunca vou cansar de afirmar precisamos ser o sal da terra…o amor entre as pessoas estam esfriando cada vez mais precisamos agir. E rápido com a sabedoria dos céus, a Armadura de Cristo e a garra de nossos Mártires…Precisamos fazer a diferença…já.

  5. Telma Lima escreveu no dia 2 Maio, 2008 | Permalink

    Realmente é importante em vez de condenarmos essas pessoas orar para que eles sejam restauradas que possam voltar ao ideal de Deus, pois somos todos iguais e todos podemos vir a cair. É fácil perante a tudo que vemos condenar simplesmente.

  6. Yana Reis escreveu no dia 2 Maio, 2008 | Permalink

    Esse fato não passou pela minha insensibilidade. Não consegui vê-lo de frente. Sabemos que o mundo caminha para o pior. Felizes os que sabem. Só que certas loucuras fogem do controle humano, e não dá para entender alguns atos. Porque eles não vêm daqui. O interessante é saber que existe restauração… E o que nos resta, é mesmo aguarda-la, para os maus, para vc, para mim….

  7. Marlon MIranda escreveu no dia 2 Maio, 2008 | Permalink

    A frase chave desse texto pra mim é: “que eu olhe para mim e não me sinta diferente de nenhum deles em sua essência”.
    Me acho um privilegiado pela vida que tenho. Na verdade eu sou um bandido, assassino, um ladrão em potencial mas por circunstancias diversas nao tenho esse problemas socais aguçados, mas ao mesmo tempo se olhar embaixo do tapete que é onde eu escondo o monstro que sou, vou encontrar um nardoni, um senhor austriaco, um judas e por ai vai. Acredito que o ponto e pedir que Deus nos ajude a escolher o que Ele pede.

  8. Marlon Miranda escreveu no dia 2 Maio, 2008 | Permalink

    Escolher o que Ele pede é viver com a guarda levantada e refletir essa guarda levantando quem esta caido. Vi alguem dizendo sobre nossa responsabilidade social e espirial. Ninguem da o que nao tem. Tudo se torna natural quando seu coração transborda de algo. Deus tenha misericordia de Todos nósssssss!!!!!!!!!!!

  9. Ingrid Oliveira ! escreveu no dia 3 Maio, 2008 | Permalink

    Essa história de pais e filhos tem muito haver com educação e nisso que vou me basear ao comentar. Esse ano tive a felicidade de estagiar em matemática em escolas de baixa renda. Meu foco principal era os alunos problemáticos, gosto desses pelo desafio de ensinar e conhece-los melhor !

    Na reunião de país é habitual ver professores se queixarem com o comportamento de seus alunos.

    Recebi um e-mail dias atrás pelo qual me fez lembrar de um episódio muito semelhante a este logo abaixo:

    - Meu filho me conta tudo o que acontece aqui na escola, conta que os amiguinhos batem nele, e o que vocês professores dizem, ele conta realmente tudo.

    Eu respondi:

    Pois é mãe, acontece que ele também conta tudo o que acontece em casa, na sua casa!

    A senhora empalideceu…
    Eu continuei:
    - Esta semana ele nos contou, como a senhora resolveu uma questão com o filho mais velho, de uma maneira um tanto muito rudi.

    Quando a humildade de se reconhecer um erro, retroceder, pedir desculpas, pedir ajuda para se endireitar, reerguer e se tornar “gente” de verdade vai prevalecer?
    A resposta é simples…
    Quando os pais servirem de EXEMPLO aos filhos.
    Simmmmmmmmmmmmmmmmmm, atenção:
    Filhos aprendem com exemplos mais do que com palavras!
    Pensar nisso, antes que seja tarde demais para alguns …

  10. leilane escreveu no dia 3 Maio, 2008 | Permalink

    poucas pessoas tem noçao da conseguencia desses acontecimentos…. isso eh mais uma prova da profecia de Deus se comprindo a violencia se esta aumentando a cada dia e o amor se esfriando… precisamos orar e mostrar o amor de Deus. nao podemos ser egoista neste tempo em que o mundo precisa saber que Cristo esta voltando.

  11. Ana Nascimento escreveu no dia 5 Maio, 2008 | Permalink

    Felipe Tonasso, não o conheço, mas pude ouvi-lo em sua mensagem. Tocou-me profundamente. Também aguçou-me ainda mais o desejo de ajudar. Não tenho feito o suficiente.Espero continuar não lendo,mas ouvindo-o.
    Deus o abençoe!

  12. f.tonasso escreveu no dia 28 Maio, 2008 | Permalink

    gostaria de agradecer os comentários de amigos e “desconhecidos” sobre este texto. pude refletir mais e mais lendo vocês.
    quero propor um diálogo aberto com vocês leitores e isso depende de vocês também. cliquem sempre e comentem, deixem seus contatos. a idéia é crescermos juntos com nossas discussões e reflexões.

    abraço
    em breve pais e filhos 2

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