Parelheiros

outubro 6, 2008 |  Ensaio Fotográfico  |  4 Comentários  |  Envie por email  |  Salvar/Bookmark

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Texto originalmente publicado em São Paulo Minha Cidade

Quero falar hoje dos índios que ainda habitam esta cidade complexa que é . Sim, índios Guaranis que vivem dentro da cidade.

De mais ou menos 1985 até 1997 morei na City Campo Grande, que ficava entre as Avenidas Interlagos, Nossa Senhora do Sabará, Arnaldo Magnicaro e Marginal. É um lugar muito movimentado, com trânsito intenso, comércio, bancos etc. Todos os domingos meu marido e eu íamos à feira próxima à Avenida Nossa Senhora do Sabará quando num belo dia, aparecem na feira várias mulheres índias levando suas crianças, amamentando algumas, todas elas muito sujas e maltrapilhas, comendo as frutas que os feirantes ou passantes lhes davam. Não pediam esmolas, apenas tentavam vender seu artesanato.

Paramos para comprar-lhes alguma peça, mas muito mais interessados em conversar com elas. Nos contaram que viviam em uma aldeia em e que eram da Nação Guarani. Passavam muita necessidade porque a aldeia tinha pouco espaço para o plantio e a caça, embora próxima à Represa. Perguntei-lhes se recebiam visitas e disseram que sim.

Um dia fomos conhecer a aldeia e lá encontramos malocas de tábuas, onde habitavam, mas nos deparamos, para nossa surpresa, com algumas construções indígenas típicas, como a Casa de Oração, havia Pagé, havia a Casa da Cultura e uma Escola. As crianças freqüentavam uma Escola Municipal próxima e a escola da aldeia tinha a finalidade de transmitir ensinamentos locais: seu artesanato tradicional, suas músicas e danças, sua língua, sua cultura e sua história.

Havia ali um índio com curso superior de história e jovens que viviam entre a cultura dos brancos e sua própria cultura. Havia um líder jovem, com mais ou menos 45 anos, Antonio, muito esperto e atento, diretor da escola. Não conhecemos o cacique.

[...]

Este trabalho foi muito rico e importante na minha vida profissional. Gostaria que este site (site aonde foi publicado originalmente) desse atenção a estas minorias que aqui vivem e colocasse fotografias para conhecimento de todos. Eles fazem parte desta Sãopaulonossacidade.

Sobre o fotógrafo

Borges

De poucas escrita e muitas fotos é ex-publicitário (formado pela ESPM) até que se converteu para o fotografismo


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4 Comentários ↓

#1 Fagner em 07.10.08, 13:10

Belas fotos de uma triste realidade.

#2 Javits em 13.10.08, 1:58

But a question remains, “Are we exploiting them by showing them to the world?”

#3 danilo em 13.10.08, 23:01

toda transgressão da triste desordem do mundo,será bem vinda…o que inspira o sorriso dessas crianças numa realidade tão cruel?….não pode ser outra coisa senão uma sensação inconsciente de que o milagre da vida já é por si só o bastante para uma alegria surpreendente…fernando,que D-s possa continuar lhe abençoando a enxergar esses pequenos poemas que a vida traz aos nossos olhos…e que na medida das suas forças vc possas retribuir de alguma maneira essas pessoas…pois certamente D-s tem um propósito para essas pessoas…nada é em vão…há uma frase que eu gosto muito…expressa um pouco desse dom de ver sutilezas….je vois dans l’espace!…eu vejo no espaço….que D-s continue lhe abençoando com este dom e com a Sua presença…abração,cara,fica com D-s…

danilo

#4 fernando borges em 14.10.08, 11:23

Muito obrigado Danilo. legal q vc interpretou as fotos da maneira em q eu as vejo também. apesar de viverem numa realidade de extrema pobreza e pouquíssimas oportunidades, a beleza dessas pessoas é o que mais chama a atenção. vi ali pessoas muito mais felizes do que muita gente q aparentemente tem muito menos dificuldades. e já aproveito pra responder pro Javitz que depende de cada um ver isso como uma exploração da imagem dessas pessoas. acho q isso vem de cada um e posso responder por mim. gosto dessas fotografias porque elas me ensinam alguma coisa. com certeza eu levei muito mais coisas dessa experiência do que deixei com elas. e meu objetivo era passar um pouco do que eu estava sentindo através das fotos.

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