viver é esperar. nunca tinha verbalizado esse pensamento antes, mas é assim. a vida passa e a gente espera.
há esperas inevitáveis. a gente espera a hora de nascer, mesmo sem saber. nascido, não vê a hora de crescer. e, crescendo, espera um monte de coisa. espera a bicicleta, o primeiro beijo. espera tirar a carta de motorista. espera sair da faculdade. espera o casamento.. espera as férias, espera o natal. espera inclusive, mesmo que sem muita animação, o dia de não viver mais. vive esperando que o dia chegue, pois sempre tem algum dia que precisa chegar: o dia do “sim”, o dia do “não”, o dia da volta, o dia da prova, o dia do encontro, o dia em que, finalmente, teremos algo a mais, mas que simplesmente precede uma espera a mais - a espera de mais um dia.. viver é esperar que o inverno termine e a flor desabroche, que a semente germine e a saudade afrouxe.
há esperas intermináveis. são esperas inconscientes, muitas vezes. a gente vive esperando o tempo da mudança, da melhora, da vitória - o momento em que vai ser melhor, em que vamos vencer traços de caráter, traumas, crises, dores.. o dia em que a dor não vai existir nem na lembrança.. são esperas sem fim, mas com finalidade. viver é esperar que o jogo vire, que o beijo dure, que a moda volte e o tempo cure.
há também esperas necessárias. e esse é o tipo mais interessante para mim. certas esperas tem o poder quase milagroso de dar gosto e sentido às nossas consecuções. a vida de muita gente não passa de uma constante oscilação entre a ânsia de querer e o tédio de possuir, mas isso é fruto de esperas imaturas, mal recebidas, mal vividas. a simples espera pela refeição que se está preparando parece que lhe dá um sabor especial. o cheiro bom que vem da cozinha chega a causar arrepios em alguns.. estas esperas necessárias avançam em complexidade e é possível perceber seu valor até no rosto e na rotina de um rapaz apaixonado que espera pela decisão de sua amada. o desafio de esperar que o amor nasça em outro coração amadurece o amor que já existe no seu. até um olhar indiferente, uma palavra meio indecisa, um aceno casual já lhe rega a esperança.. e quando, finalmente, ganha de sua musa o abraço do coração, tudo que vem com ele é revestido de um sentido quase sagrado. é a coroação. não é um ponto final, mas uma porta aberta para sua felicidade. o caminho que leva a ela é mais que esperar, é esperançar.. viver é esperar que a fila ande, que a chuva passe, que o fruto caia e a maré baixe. são esperas inevitáveis, intermináveis, necessárias..
viver é esperar.. mas será que esperar é viver?
espero resposta.




O QUE FAZER AGORA?!