assumindo a manipulação

julho 24, 2009  |  por Regina Mota  |  1 Comentário  |  Envie por email  |  Salvar/Bookmark

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Durante muito tempo ouvi dizer que “jornalismo bom é jornalismo isento.” Cheguei a acreditar nisso. Não sei se a imprensa mudou, ou se eu é que deixei de ser ingênua. O fato é que a ilusão do jornalismo neutro acabou para mim muito tempo atrás. Não lembro do momento exato, porém, ainda dou risadinhas amarelas quando penso na Velhinha de Taubaté, hilariante personagem de Luiz Fernando Veríssimo, que acreditava em tudo que passava na TV ou saía no jornal. De certa forma ela funcionou como um espelho nefasto para todos aqueles que, como eu, se achavam imunes às manipulações da . De repente percebemos que éramos, como diria minha melhor amiga, “tão novinhos, tão tolinhos.”

Porém, em algum canto do meu cérebro ficou a noção de que a imprensa séria trabalhava com certa neutralidade. Besteira minha, eu sei, afinal, isenção não é sinônimo de bom jornalismo. Isso é coisa de leitor bobo que quer acreditar que tem acesso à . O fato é que toda notícia passa por um filtro editorial e assim caminha a humanidade. Mas isso era implícito, ninguém trombeteava tal informação. Ficava subentendido.

Ficava. Agora não fica mais. Outro dia chegou à minha casa uma mala direta vendendo assinaturas da revista de notícias mais lida no pais. Nela, encontrei a seguinte pérola: “Oferecer a notícia pura e simples é pouco. Para dar mais elementos para você ter a sua opinião, é preciso que os fatos cheguem selecionados e analisados, dando a dimensão de como poderão mexer com seu dia-a-dia. A notícia interpretada em todos os ângulos, está nas páginas de X.”

Expressões como “fatos selecionados e analisados” e “notícia interpretada” foram demais para o meu pobre coração. Ali estava uma editora assumindo abertamente que seleciona informações – baseada em seus interesses, que não são necessariamente os meus – para que eu possa ter uma opinião. Argumentando que o leitor seria beneficiado com sua interpretação das notícias, sem levar em conta que esta poderia estar em direta oposição aos princípios do próprio leitor. Uma publicidade bem ao estilo “Me engana, que eu gosto.” Parecem ter-se acabado os dias da ingênua Velhinha de Taubaté, e ressurge a mulher de malandro do velho samba de Heitor dos Prazeres e Francisco Alves. Sabemos que estamos sendo enganados, mas não nos importamos mais.

Entretanto, o engano não é a vocação do cristão. A Bíblia diz que “os tolos desprezam a sabedoria e a instrução” (Prov. 1:7), mas o verdadeiro conhecimento não é uma coleção de informações, e sim um conhecimento pessoal de (Prov. 9:10). Se a palavra sábia é uma jóia muito mais preciosa que o ouro (Prov. 20:15), é preciso subverter a nova ordem mundial, dando valor ao que realmente tem valor. Se queremos ter sabedoria para avaliar o nosso entorno, devemos buscar direto na fonte. É quem nos ensina o discernimento (Salmo 119:66) e só dEle podemos aprender qual seja a verdadeira sabedoria (Provérbios 2:6).


Sobre o autor

Mota

Mestranda pela Unicamp, professora de musica, regente do Madrigal Vox 9 e assistente do Coral Unasp, nas horas vagas é cantora. Apegada à sua privacidade, Regina resistiu enquanto pôde aos celulares e não está no Orkut, mas recentemente criou um blog.


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1 Comentário ↓

#1 Guilherme em 27.07.09, 18:12

No Edem satanás propos ao homem ser um conhecedor do bem e do mal. A partir daí o ser humano tem buscado informações a respeito de tudo e só tem encontrado o que não presta e fica pior ainda. Enquanto o ser humano não valorizar a verdade que é Jesus nada mudará.

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