compras

dezembro 19, 2008  |  por Edson Nunes  |  10 Comentários  |  Envie por email  |  Salvar/Bookmark

presentes

dezembro é o mês das compras. parece haver uma necessidade de presentear e ser presenteado. todos os lugares de vendas ficam abarrotados. em , no rio de janeiro, em , em teresina, em chicago, em paris, em londres, etc, todos querem comprar algo para dar ou para ficar.

interessante notar a dinâmica do ato de dar um presente. no processo da compra, além de pensar, obviamente, nos gostos, sonhos e personalidade do presenteado, o presenteador quer deixar também a sua marca, quer dizer, não apenas dar algo, mas algo que faça aquela pessoa se remeter a ele.

assim que, o processo de comprar vai além do conhecimento que temos (ou achamos que temo) de alguém e chega ao conhecimento que temos (ou achamos que temos) de nós mesmos. o presente passa a ser mais do que representação de sentimentos para ser representação de indivíduos. o presente passa a ser um pouco a pessoa que dá e um pouco a pessoa que recebe.

, em ‘a felicidade paradoxal’ diz que vivemos em uma época em que “as tradições, a , a são menos produtoras de identidade central” e o consumo passa a exercer um papel fundamental no processo de criar identidade individual. por isso comprar é tão importante. por isso cada presente carrega um pouco do que se é.

objetos resumindo .

no balcão das lojas, estão mais do que roupas, eletrônicos, brinquedos, etc. a camisa não é apenas legal. ela é alternativa. o em dvd não apenas emociona, ele traduz uma imagem cult. aquele celular mostra um lado empreendedor. as coisas passam a carregar . as coisas passam a carregar imagens. você não compra mais produtos, você compra você.

as lojas deixam de ser mercados de produtos e tranformam-se em mercados de gente.

felizmente, “quem eu sou” é mais profundo do que o que eu tenho. responder demora mais do que uma tarde de compras.

Foto concedida pelo Nationaal Archief


Sobre o autor

Nunes

"Livros são objetos transcendentes" (c.v.). Formado em letras e teologia, atua como pastor na Beth Bnei Tsion e na Nova Semente, além de mestrando em estudos judaicos (poesia bíblica) na USP. Gosta de comer bem, fazer snowboard e ler dormindo (quem lê, entenda).


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10 Comentários ↓

#1 Lylie em 21.12.08, 1:01

Como ninguém é perfeito, preciso confessar que, já fui bem consumista. Atualmente tenho me esforçado pra ser uma consumidora consciente!! Comprar apenas o que realmente vale a pena! Sem esquecer a lição da escola sabatina, a meditação. Esses valem a pena!! Mas não é fácil resistir ao apelo constante da mídia, pra comprarmos aquilo que precisa e até o que não precisamos..
Lembro-me do conselho de Jesus em Apocalipse 3:18 para nós, comprem de mim ouro puro para que sejam, de fato, ricos. … Vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos..
Então concluo que só Jesus pode saciar os nossos desejos de verdade!!

Boa Semana de Natal a todos!!

#2 Guilherme em 21.12.08, 1:15

Creio que não existe registrado na Bíblia Jesus fazendo compraas mas seee ele fosse , o que ele compraria?
rs talvez Ele nem iria as compras pq o que de fato precisamos as lojas não têm pra vender!!
E Ele nos deu de graça!!

#3 Thiago Barbosa da Silva em 22.12.08, 9:57

Nos vemos tão envoltos pelas práticas ocorridas no ambiente social do qual fazemos parte que podemos deixar de perceber o quanto estamos sendo peças no jogo do consumo!

#4 Dylma Anjos em 22.12.08, 17:24

Desde a infância os seres humanos estão
Envolvidos diretamente com o consumismo e sem se dar conta de que estão sendo manipulados constantemente pela mídia! Pensam que devem comprar pra serem valorizados,
Para serem aceitos.

Aí um belo dia cai à ficha.
Vêem que entra ano e sai ano e o circulo vicioso de comprar e comprar não pára e percebem que estão a cada compra desnecessária, infelizes, frustrados e com a sensação de que não passam de meros escravos do consumismo, ” mais amantes dos prazeres que amigos de Deus” 2 Timóteo 3.1-5

Oremos para que Deus esteja em primeiro lugar na nossa vida!!!

#5 danilo em 23.12.08, 9:26

é verdade…e não estamos alheios a isto…essa transferência de significação dos sistemas de pensamento(religião,tradições etc) tem nos atingido porque é assim que vige as relações interpessoais do mundo contemporâneo…martim buber no livro ”eu e tu” defende que ”o ser humano se torna eu pela relação com o você, à medida que me torno eu, digo você. #todo viver real é encontro#”,ele diz…assim,não é sem porquê que o inimigo de D-s provoca essa inversão de valores…ou não será para atender uma maior gamas de desejos que nós é imposta que a cada dia a violência e a ganância aumentam geometricamente?…é sim…o ser humano foi feito para relacionar-se,pode-se fazer até a equação de consequência:relacionar-logo-ser…pois é no reconhecimento do outro como nosso semelhante que nos admitimos seres criados pela mesma Pessoa…e o que dizer do contemplar esta mesma Pessoa…?…ao cruzarmos o Bojador do desconhecido e não aparente(porém evidente) da nossa vida trivial sempre encontraremos o Sentido Eterno de Nossas Vidas…e quando perdemos isto de vista,o que não é difícil, somos piores que os ímpios,o que não é fácil…enfim…que a nossa oração possa seguir o poema,o qual farei alterações, de martim buber-esse filósofo e teólogo judeu-e diz assim: ”isto é uma palavra pequenininha que eu só posso dizer com metade do meu ser,mas Tu Senhor,tu meu próximo,é uma palavra menor ainda que eu só posso dizer com meu ser inteiro”…ser inteiro…?!vida em abundância…?!…terá alguma semelhnça entre essas expressões…?….todas! abração, edson, e mais uma vez obrigado… dani

#6 Fernandinha em 23.12.08, 11:26

2 Timóteo 3.1-5

2 Timóteo 3:1 Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis,
2 Timóteo 3:2 pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes,
2 Timóteo 3:3 desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem,
2 Timóteo 3:4 traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus,
2 Timóteo 3:5 tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.

#7 Victor em 24.12.08, 1:44

Penso que “objetos resumindo pessoas” é uma realidade tão pequena e pejorativa quanto “religiões resumindo pessoas”, ou “tradições resumindo pessoas” ou “políticas resumindo pessoas”. E a gente fala como se a religião, a política ou a tradição não carregassem valores sociais – enquanto deveriam ser experiências de crenças individuais (assim como o produto/consumidor ideal?).

O consumo é parte da mitologia do nosso tempo, e nos ameaça na mesma medida que qualquer existência externa ao homem ameaça sua identidade (religião, futebol, um cônjuge…). Disso, essas ameaças, por outro ponto de vista – já que ninguém vive sem influências externas – são os tijolos que constróem o nosso eu.

Prova de que o consumo e as corporações já são partes fundamentais da nossa mitologia é a sua constante presença na arte do nosso tempo. Não só injetando dinheiro em mega-produções ou fazendo inserções de seus produtos em cenas de filmes. Na verdade, o produto comercial já faz parte da representação artística desde Warhol brincando com as latas de Campbell (isso se não houver coisa anterior). Hoje, as trademarks aparecem na construção de uma narrativa sem que precisem gastar um centavo: elas já são totens que representam um agrupamento de valores. Representam idéias. Tá nublado o argumento? Chapa nesse vídeo aqui então:

http://vimeo.com/2251254

Bom, é isso.

De forma geral, não entendi o porquê da guinada moralista que o texto deu depois do terceiro parágrafo. Até ali era um fato bacana de ser descrito.

Um abraço!

#8 Valéria em 26.12.08, 14:34

A palavra de Deus nos ensina a buscar primeiramente do alto, e nos promete que, então, todas as coisas nos serão acrescentadas. eu gosto de fazer uma leitura deste conselho/promessa no sentido de que se nos estruturarmos mentalmente (coisas mais elevadas) e emocionalmente, seremos muito mais seletivos, exigentes, sábios, e menos influenciáveis. Portanto, não precisaremos temer o mito da míida. Afinal ela apenas percebe e demonstra os nossos desejos. A propaganda não vende nada que não desejemos. Então cuidemos dos nossos valores internos! Porque o comércio é a atividade que sustenta o mundo. Como nos alienarmos dessa realidade? Além do mais, há valores agregados aos produtos. Aliás, é exatamente isso o que a indústria quer: que a imagem dos produtos tenham significado para nós. Mais do que utilidade. Eles são objetos, mas são tb projeções de nós mesmos. Sendo assim, ‘pessoas reduzidas a objetos’ significa apenas que esses objetos refletem uma parte de nós. Se serão o nosso TODO e portanto estamos reduzidos a isso, é porque não desenvolvemos outros valores para compor o nosso ser…
A sociedade moderna está toda sustentada sobre os pilares do comércio. Isso dá empregos, define políticas, ressignifica comportamentos… E é bom. Desde que nós, individualmente e coletivamente, desenehmos os destinos do consumo de bens. A propaganda não faz o gosto. Ela só tenta seduzir porque conhece a nossa estrutura. Tanto que há um público alvo para cada produto ou serviço. Nós temos o lovre arbítrio para escolher que tipo de público seremos. Ou seremos levados por qualquer onda publicitária, a consumir o que não precisamos.
Nós criamos esta realidade. temos que saber lidar com ela! Somos todos responsáveis, de uam forma ou de outra. Responsáveis. Não vítimas!
Objetos representam afetos. Por que não usá-los para tal fim? Nos tempos bíblicos, um perfume caro, incenso, mirra, manros, e outros objetos cumpriram esse papel! Não tinha mídia, mas todo mundo sabe que esses objetos eram nobres, custavam caro! Quem atribui valor às coisas? E se o fazemos, não é para que sirvam como representação? Essas coisas não nos diminuem. Mas há pessoas e pessoas. Precisamos entender as necessidades elimitações de cada uma. E procurar agir de causa para efeito e não apenas apontar o consumismo como algo pejorativo em sua essência. As coisas estão aí para serem usadas por nós. Se nos deixamos usar por elas, é que começam os problemas. Mas evitar o fato sem ir na causalidade é um engano perigoso. Em vez disso, por que não parar e avaliar os motivos de cada comportamento? Perguntemo-nos no que consistem? Por que eu me importo tanto com as coisas superficiais, o ter, o exibir??? a ponto de me endividar, tornar-me egoísta, insaciável???? O que eu estou tentando compensar??? “Sonda, Senhor, e veja se há em mim algum caminho mau…”

#9 Lylie em 26.12.08, 22:29

NATAL
Mais uma vez a história se repete, Repete a lembrança de uma ação única.
Cristo nasceu,
Nasceu em uma família que não era consumista.
Seus pais não tinham nem ao menos um
berço, quanto mais um berço de ouro,
Mas com ele veio a esperança vital a nossa existência.
Nasceu de forma humilde, mas nasceu.
Veio pra ficar pouco tempo, mas veio.
Falou de forma clara e sábia
E ficou o tempo suficiente para nos da o exemplo que as
pessoas é quem têm valor e não as coisas que podem comprar, possuir.
Sempre valorizou as pessoas pelo que elas eram e
nunca pelo que tinha!
Natal – um dia pra presentearmos quem se deu como presente.
Natal – um dia para o Salvador nascer no coração de todo o pecador.
Não deixe o consumismo, desta época, tirar o brilho dessa lembrança redentora!!

#10 Denise Artuso em 07.02.09, 14:47

Consumir é algo necessário, o que devemos fazer é avaliar se são superficiais. Mas muitas vezes compramos para satisfazer nossos desejos. Se vamos à um casamento, queremos um vestido novo, mesmo que nosso guarda roupa estaja abarrotado ou mesmo que já tenhamos um ou outro que já foi usado em outra ocasião. A desejo de ir com uma roupa nova é também uma cobrança da própria sociedade, as pessoas fazem comentários, cobram pela aparência.
O mercado oferece, a mídia introduz a vontade em nós.
O que nos resta fazer é nos policiarmos e não comprar
pela emoção. Fazer sempre uma avaliação financeira e verificar se o que estamos comprando é realmente necessário. Que Deus esteja nos guiando em todos os sentidos.

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