Felicidade
setembro 10, 2008 | por Edson Nunes | 2 Comentários | Envie por email | Salvar/Bookmark

Uma das melhores propagandas dos últimos tempos era de um cartão de crédito. Em meio a valores de certos itens (bola: ‘x’ reais, chuteira: ‘x’ reais, etc.) era incluída uma cena de valor sentimental (o filho jogando bola com seu pai) e o anúncio terminava com ‘tal coisa’ “não tem preço, mas para todas as outras existe ‘x’”. A expressão chegou a virar rotina de piadas entre amigos e mesmo declaração de amor entre casais (‘estar com você não tem preço’, ‘ver seu sorriso não tem preço’, etc.).
A felicidade é vendida como uma série de coisas (materiais) e algum sentimento. Isso acontece em momentos pontuais, meio que reafirmando a frase de música popular: “tristeza não tem fim, felicidade sim”. A vida torna-se um eterno ciclo de comprar, comprar e comprar. Tudo é comprado para aguardar o momento que não tem preço. Afinal, quando ele vier, é preciso estar preparado. Essa não tão nova tendência é chamada de hiperconsumo pelo filósofo francês Gille Lipovetsky.
O principal problema não é o consumo em si, mas o paradoxo que ele cria. O que não tem preço só é alcançado pagando o preço. Resultado? Ansiedade. A espera pelo breve momento de felicidade a torna circunstancial.
Felicidade, entretanto, é mais um processo do que um evento isolado. Curiosamente, no assim chamado Antigo Testamento, a palavra felicidade e a raiz do verbo andar são iguais. Andar significa movimento. Significa ação. A idéia ainda é mais conflitante com a propaganda de cartão de crédito porque a felicidade deixa de ser a culminância, para ser a base. Ser feliz não é o fim, é o início de uma caminhada.
Foto pela Biblioteca do Congresso
Sobre o autor
"Livros são objetos transcendentes" (c.v.). Formado em letras e teologia, atua como pastor na Beth Bnei Tsion e na Nova Semente, além de mestrando em estudos judaicos (poesia bíblica) na USP. Gosta de comer bem, fazer snowboard e ler dormindo (quem lê, entenda).
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2 Comentários ↓
“O que não tem preço só é alcançado pagando o preço.”
…é por isso que a Graça não faz sentido na mente tão racional de um ser humano…
realmente momento felizes năo quem pague.
por isso aproveite cada momento feliz pois nada vai fazer ele voltar.
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