Grande Esperanças
novembro 6, 2008 | por Joêzer Mendonça | 6 Comentários | Envie por email | Salvar/Bookmark
Um homem sobe apressadamente os degraus e se posiciona no pódio da vitória. Ele levanta as mãos e fala agradecido de seus amigos e de sua família e menciona o empenho e o valor de seus adversários. Essa é uma cena recente protagonizada tanto por Lewis Hamilton quanto por Barack Obama. Nas primeiras horas de um triunfo histórico, ambos viram a vida pelo retrovisor e relembraram em segundos a trajetória de marchas e contramarchas, de acertos profissionais, de dura dedicação.
Três dias depois do primeiro negro, Lewis Hamilton, ser campeão mundial de Fórmula 1, Barack Obama será o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. O fator melanina é um detalhe histórico, mas nunca é tudo. Por isso, escrevo de outro modo: Hamilton é o mais jovem piloto campeão mundial e Obama é o presidente eleito em que se depositam as maiores esperanças de mudança social e política.
Apreciamos ver pessoas que são exemplos de retidão moral e desempenho esportivo ou artístico. Ainda mais quando sabemos que seu triunfo é o coroamento da conjunção de talento, persistência, esforço e coragem. O piloto que avança sobre recordes é a vitória coordenada do homem sobre a máquina, é o espelho da tecnologia dominada. O político que atrai as esperanças representa a superação do preconceito, é o reflexo de uma política de diálogo e conciliação.
A vitória de uns é o sinal de que outros saíram perdendo. Em geral, se põe a culpa nos outros. John McCain, o candidato vencido nas urnas americanas, disse que a responsabilidade pela derrota era dele próprio. É preciso honradez para tanto. Felipe Massa, que ganhou a corrida mas não levou o campeonato, ao fim do Grande Prêmio do Brasil foi saudado pela torcida como herói. É preciso dignidade para não ser o vitorioso e ainda sim ser celebrado.
Na derrota é que nosso caráter aparece e que a nobreza se mostra. No triunfo, nossas esperanças são acesas e a fidelidade aos princípios se revela. Já nos ensinaram que precisamos saber perder. E sabemos ganhar? Já sabemos como ganhar?
“Ad augusta per angusta”, a vitória requer sofrimento, mas nem sempre se está disposto a pagar o preço, somente alguns dão mais uma volta no circuito quando os outros já pararam, nem todos querem superar os obstáculos com honestidade e trabalho.
Não tenho nem sete hábitos nem quarenta fórmulas para lhe ensinar a vencer. Isto é algo que eu também preciso aprender. Mas já sei, pela Bíblia, que VENCEDOR é aquele que não apenas corre, mas completa a carreira e ainda guarda a fé. É desse tipo de vencedor que o mundo precisa.
Imagem pintada por Ron English e disponibilzada sob Creative Commons em Laughing Squid
Sobre o autor
Pianista e compositor do Curitiba Coral/IASD-Central, é também arte-educador e Mestre em Música pela UNESP. Edita o blog Nota na Pauta, onde escreve sobre atualidades e antiguidades relacionadas à mídia, cultura e religião.
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6 Comentários ↓
Um bom paralelo entre dois dos principais vencedores do ano. Pela dedicação, talento e esforço podemos retirar algumas boas lições da vida desses personagens descritos acima.
Que todos nós vivamos da maneira como citou o autor. Vencendo com Cristo!!
É bom saber que na corrida cristã não precisamoms chegar em primeiro lugar, e sim chegar! A vitória é para todos que chegam ao final.
Aaah. Eu fiquei realmente impressionada com o McCain e com o Massa.
Em ambas as situações, tanto os vencedores quanto os perdedores tiveram algo em comum.
E sobre a vitória que já temos um livro cheio de dicas, triques e conselhos, as pessoas desprezam o que há de melhor em troca do que não há.
Gostei!
É possível sair algo de bom de Nazaré? Obama é o messias do mundo. Alguém que surge vencendo barreiras, quebrando preconceitos e alcança o posto de homem mais poderoso do mundo. Um case de marketing politico? Uma feliz assossiação de coincidências? Mérito próprio?
Cristo mostrou ao mundo que a vitória estava em sua morte. Que poder e humildade caminham juntos. O Messias não foi reconhecido nem aceito por aqueles que o aguardavam, mas mostrou ao mundo uma nova forma de viver, de pensar, de agir.
Change. We need.
Parabéns pela matéria.
é muito opoortuno este comentário, estamos mesmo no final. isto acrecenta muito no que esperamos a vinda de jesus
não sei se “vencedor” é bem a palavra a ser usada, pois ele ainda não fez nada para ser considerado vencedor. Ganhar uma eleição é uma coisa, agora vencer as dificuldades são outras completamente diferente, e somente considero vencedor aquele que consegue fazer algo realmente importante para outros sem benefício próprio, e estou certa de que Obama não fará nada por ser “bonzinho”, ele pode até fazer a diferença, mas fazer a diferença com dinheiro é totalmente diferente de fazer a diferença com a pobreza, é aí que entra a fé em Deus. Somente Cristo pode ser fazer alguém vencedor, pois Ele venceu tudo por nós. Só cabe a Ele ser considerado vencedor, pois salvou a humanidade da perdição, dando sua própria vida! Também considero vencedor aquele pai de família que sobrevive com esse salário mínimo e ainda confia em um mundo melhor, esse sim é um vencedor.
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