Informação x Conhecimento
agosto 29, 2008 | por Carolina Cavalcanti | Envie por email | Salvar/Bookmark

Todos os dias, somos bombardeados, incessantemente, por vários tipos de informações. Abra seu e-mail, ligue a televisão, leia o jornal, assista a uma aula, ouça música, vá à igreja, converse com seus amigos…. o fluxo de informações é praticamente infindável. Várias delas são relevantes e verdadeiras, mas a grande maioria é tendenciosa, quando não mentirosa. O difícil é conseguir separar tempo para digerir tudo aquilo que é jogado sobre nós. Geralmente, decidimos em meros segundos, se as informações recebidas são dignas de atenção.
A liberdade de expressão foi conquistada a duras penas por idealistas que ousaram acreditar que todo ser humano tem o direito de falar o que pensa , viver como quer e acreditar naquilo que deseja, desde que não viole nenhuma lei. Devemos ser agradecidos a esses idealistas que, muitas vezes com sangue, nos deram o direito de ser “livres”. Na teoria, é tudo muito lindo. Os resultados, entretanto, muitas vezes, nem sempre são assim tão bonitos. A liberdade de expressão pode ser perigosa, quando não vem acompanhada de responsabilidade. Quantas vezes lemos, ouvimos e vemos barbaridades que invadem nossa casa, nosso ambiente de trabalho, nosso carro ou qualquer outro lugar sem pedir autorização? Isso acontece porque, em algum momento, alguém decidiu que aquela informação era relevante. Isso acontece porque o desejo de aumentar a tiragem de uma publicação, conseguir pontos no IBOPE ou promoção pessoal é colocado antes da ética e do respeito por outras pessoas.
Outro perigo trazido pelo infindável fluxo de informações que nos rodeia é que, agora, as pessoas pensam que são conhecedoras de tudo. Quando, na verdade, conhecem um pouco de cada coisa e praticamente nada em profundidade. Faço essa afirmação, caro leitor, porque acredito que informação não é conhecimento. A ciência surgiu exatamente da necessidade de se fazer essa diferenciação. A informação é qualquer comunicação ou transmissão de notícia. O conhecimento é algo que está embutido dentro de nós e que, segundo o psicólogo socio-interacionista Vygotsky, é construído a partir de relações sociais. O teórico Piaget sustenta que aprendemos, ou adquirimos novos conhecimentos, a partir de conhecimentos prévios adquiridos durante toda a vida.
Vou citar um exemplo muito prático. Uma experiência simples, mas que marcou minha vida:
Antes de completar 18 anos, decidi que queria aprender a dirigir. Acreditava que tinha todas as informações do mundo sobre o assunto. Sabia que devia manejar o volante do carro movendo-o na direção em que queria conduzir o veiculo. Tinha informações sobre as funções da embreagem, freio, ascelerador e diferentes marchas de câmbio. Essas informações, que foram adquiridas ao longo de anos de observação, logo se mostraram insuficientes.
Em uma tarde ensolarada de sábado, decidi que iria aproveitar que meus pais estavam viajando, para dirigir o carro da família pelas ruas de Nova Friburgo, RJ. Inicialmente, tudo correu bem. As informações que eu tinha eram suficientes para manejar o carro pelas ruas de paralelepipedo de um bairro residencial da cidade. Até que algo terrivel aconteceu. Entrei em uma rua que não conhecia e me deparei com uma ladeira muito íngreme. Não tinha como voltar e vários carros estavam enfileirados atrás do meu. Um pouco apreensiva, decidi que iria encarar o desafio - não tinha outra opção. No meio da ladeira, o carro que eu dirigia morreu e logo começaram a buzinar atrás de mim. Comecei a me desesperar, quando percebi que toda a informação que tinha sobre o assunto de nada valia naquela hora. Tremia tanto, que não conseguia fazer o carro ir para a frente. Ao invés disso, parecia que o veículo tinha adquirido vida própria, pois insistia em descer na direção dos motoristas enraivecidos.
Naquele momento, constatei a enorme diferença entre informação e conhecimento. Tudo o que havia lido, visto e ouvido sobre o assunto não foi suficiente. Eu não tinha experimentado por mim mesma o que significava ser uma motorista. A experiência que adquiri nos anos seguintes me deram o conhecimento verdadeiro. Hoje, dirigir é tão natural como respirar. Sou conhecedora do assunto.
Essa experiência me ajudou a entender algo muito mais profundo. Por muitos anos, recebi informações sobre Jesus. Ouvi histórias sobre quem Ele foi e o que fez. Até ouvi falar de Seus planos para o futuro. Achava que toda essa informação me habilitava a dizer que O conhecia. O tempo passou e percebi que estava enganada. Descobri que somente quando tivesse uma experiência pessoal com Ele teria a oportunidade de conhecer, não quem Ele era para os outros, mas quem Ele é para mim. Decidi que queria investir na aquisição desse conhecimento. Foi o melhor investimento que fiz. Hoje, posso dizer que O conheço. Ele faz parte de minha história. É Ele quem planeja meu futuro. Ele é a razão de minha vida. Agora, estou convencida de que não importa a quantidade de informações que recebo… eu sei o que vale a pena conhecer. Conhecer Jesus, “realmente,” é tudo!
Sobre o autor
Jornalista e mestre em Tecnologias Educacionais. Dá aulas para o curso de Pedagogia da Faccamp e atua como designer instrucional dos cursos a distância do CEPA - USP. Gosta de ler, viajar, escrever e passar a noite jogando conversa fora com amigos e membros da família. É casada e tem um filho fofo de 1 ano e meio. Conheceu éoqhá através da irmã.
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