Jeitinho nosso de cada dia: corrupção e individualismo em pequenas ações
maio 30, 2008 | por Edson Nunes | 1 Comentário | Envie por email | Salvar/Bookmark
Você já ‘furou’ alguma fila? Já deixou alguém guardando lugar em um evento? Já ‘cortou’ uma ou mais faixas de trânsito para fazer uma conversão? Ou chegou atrasado a algum banco, programa, etc., e pediu ‘por favor’ para que o porteiro te deixasse entrar?
O fato é que 63% dos brasileiros são adeptos cotidianos do chamado ‘jeitinho’, isso segundo a Pesquisa Social Brasileira, feita por Alberto Carlo de Almeida, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Esse número, de acordo com a pesquisa, sobe para 70% entre os brasileiros com curso superior.
Esse comportamento evidencia algumas nuances importantes da sociedade em que vivemos. Em primeiro lugar, é uma explicação simples (ou simplificada) do por quê a corrupção não é punida, ou você leu que alguém de alguma das recentes ‘máfias’ (sanguessugas, cartões corporativos, ONGs, mensalão, ‘mensalinho’, etc.) foi preso? Em segundo lugar, sublinha uma das características mais marcantes do ser humano: o individualismo. “A minha necessidade é mais importante do que a dos outros, por isso preciso cortar pela direita uma conversão à esquerda no trânsito”. “Meus motivos para atrasar são reais e justos, mais do que o dos outros”.
É óbvio que não é isto que dizemos ou pensamos, mas é o que acontece. Quando você ou eu damos um ‘jeitinho’, por menor que seja, e mais inofensivo, estamos sendo individualistas e corruptos. O nosso ‘jeitinho’ de cada dia é um câncer social. Ele alimenta mais e mais ações dessa natureza, gerando a famosa frase: “todo mundo faz”. Exigir correção dos outros é mais complicado se temos as nossas próprias ‘sujeirinhas’ escondidas.
Paulo, escrevendo aos Coríntios diz: “pois zelamos pelo que é honesto, não somente diante do Senhor, mas também diante dos homens” (II Coríntio 8:21). Assim, nosso proceder deve ser honesto em todo o tempo, de todas as maneiras, ainda que isto signifique perda pessoal.
Substitua o “’jeitinho’ nosso de cada dia” por uma conduta honesta e íntegra diante de D-s* e dos homens.
*maneira respeitosa de tratar a nomenclatura divina
Sobre o autor
"Livros são objetos transcendentes" (c.v.). Formado em letras e teologia, atua como pastor na Beth Bnei Tsion e na Nova Semente, além de mestrando em estudos judaicos (poesia bíblica) na USP. Gosta de comer bem, fazer snowboard e ler dormindo (quem lê, entenda).
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1 Comentário ↓
obrigado pela reflexão. o “pano de fundo” desses “jeitinhos” é preocupante. questionar é para poucos, e em poucos momentos. seu texto nos motiva nesse processo.
li esses dias de um tal de Montapert: “O carácter é a soma de milhares de pequenos esforços para viver de acordo com o que de melhor há em nós.”
minhas pergunta é: e o que há de melhor em nós?
abraço edson
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