Música cristã no século 21: um “cântico novo” ou repetição do passado?

abril 28, 2009  |  por Regina Mota  |  32 Comentários  |  Envie por email  |  Salvar/Bookmark

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Não existe música cristã, só existe letra cristã.* A afirmação não é minha, e seu autor recorre ao texto bíblico para oferecer evidências. De acordo com ele, a maior prova está no fato de que a Bíblia traz até nós apenas as letras, e nenhuma partitura das muitas canções cantadas nos tempos de Israel. Assim, a mensagem das músicas religiosas seria, em muitos sentidos, eterna, atravessando séculos e séculos. A música, no entanto, por seu fator cultural, ficaria fora dos princípios imutáveis da Lei de Deus, e até mesmo das tradições religiosas judaico-cristãs que atravessaram os séculos.

Encontrei esta hipótese num  livro de Rick Warren, pastor da famosa igreja de Saddleback, nos Estados Unidos, cujo plano das 40 madrugadas de oração virou coqueluche em 9 entre 10 denominações evangélicas. Inclusive a adventista. Como? A igreja adventista, influenciada por idéias evangelísticas atuais? Advindas de outras denominações?

Minha ironia se justifica pela existência de um grupo, entre os adventistas, que ataca toda e qualquer música adventista que denote sofrer influência da música evangélica de outras denominações. Alguns vão mais longe, e atacam qualquer relação que a música religiosa atual tenha com as linguagens musicais do tempo presente. Esta postura, porém, parece descabida quando se faz uma análise de outros aspectos da vida religiosa.

Igrejas são construídas de acordo com parâmetros arquitetônicos correntes, nas escolas segue-se a filosofia da educação adventista sem perder de vista a teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner, os membros da igreja vestem-se de acordo com a moda atual (ainda não encontrei ninguém usando as vestimentas do século 19 que se vêem nas fotos de Ellen White), e o nosso prato vegetariano de cada dia não é mais feito em fogões a lenha, e às vezes é até mesmo descongelado em fornos de microondas.

Só mesmo aos músicos, é delegada a impossível tarefa de viver no século 21 de acordo com costumes de dois ou três séculos atrás. Eles devem ser capazes de desempenhar suas funções sem nenhuma relação com qualquer linguagem musical da atualidade. Parecem lhes restar apenas duas opções: a primeira, é compor e interpretar a partir de referências barrocas ou clássicas, sem qualquer relação com as linguagens musicais da nossa era. Isso corresponderia a pedir que os escritores, jornalistas e publicitários cristãos de hoje usassem o português de Camões para escrever. A outra alternativa é deixar de produzir coisas novas, abandonando a criatividade outorgada por Deus. Simplesmente continuar repetindo linguagens musicais consagradas pelo tempo – o que corresponde a cantar ad eternum as marchas do século 19 que compõem os tradicionais hinários protestantes.

Não me parece justo que pessoas que vivem suas vidas conforme os padrões do século 21, desejem exigir dos músicos uma existência de reclusão e eremitismo. Sim, a vida cristã hoje em dia apresenta enormes desafios. Como achar  equilíbrio entre a sobrevivência na sociedade que nos cerca, e uma vida de acordo com os padrões cristãos de comportamento? Não é uma questão de fácil resposta. Porém, o fato permanece: não há fórmulas no evangelho. Cada um deve descobrir individualmente o caminho para tornar-se mais semelhante a Jesus, já que no “grande e terrível dia do juízo,” cada um responderá da mesma forma: individualmente.

Todos os ministérios de hoje enfrentam, de alguma forma, o dilema que está diante dos músicos cristãos: como encontrar um equilíbrio entre cantar/tocar/compor para “judeus e não-judeus?” Esta é uma busca antiga, e diante dela o apóstolo Paulo escreveu: “E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus…. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo)…. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.” (I Cor. 9: 20-22).

É um desafio extraordinário, e, no entanto, discussões vazias e idéias pré-concebidas não vão ajudar no processo de supera-lo. A solução, como sempre, vem de Deus, que deixou a cada cristão a seguinte promessa: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente.” (Tiago 1:5).

*WARREN, Rick. The Purpose Driven Life. Grand Rapids: Zondervan, 2002.


Sobre o autor

Mota

Mestranda pela Unicamp, professora de musica, regente do Madrigal Vox 9 e assistente do Coral Unasp, nas horas vagas é cantora. Apegada à sua privacidade, Regina resistiu enquanto pôde aos celulares e não está no Orkut, mas recentemente criou um blog.


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32 Comentários ↓

#1 Matheus Siqueira em 29.04.09, 4:34

Como é bom ler de novo seus textos! Estava sentindo falta deles por aqui!

#2 Alessandro Andrade em 29.04.09, 8:44

Artigo sensacional.

Quem dera mais líderes da igreja pudessem lê-lo sem idéias pré-concebidas e refletir sobre o assunto para que pudéssemos ter uma diretriz padrão sobre música dentro da igreja.

Desta forma, não teríamos tantas disparidades entre templos da mesma igreja, como músicas mais “jovens” sendo também permitidas em umas e somente música tradicional e clássica em outras.

Mas que antes de mais nada: que Deus possa ser louvado, de coração.

#3 Paulo Ricardo em 29.04.09, 12:15

Artigo sensacional.(bis)

A poética e os argumentos do texto, adorei.
Quem criou a regra de que cristão tem que fazer música cristã?

#4 edu em 30.04.09, 0:22

Sou totalmente de acordo com a afirmação do Rick Warren sobre não existir música mas, apenas, letra cristã; até porque, a PALAVRA, essa sim nos foi revelada, mas a música, até onde eu sei não existe em lugar algum revelação do que vem a ser música cristã, uma vez que em termos simples, a música nada mais é que “a arte de combinar os sons”.
Ampliando um pouco a questão acima, deixada pelo Paulo Ricardo, pergunto: Quem criou, então, as regras que definem esta ou aquela combinação de sons – música – como sendo cristã ou não?
Confesso que essa questão, bem como aquela conversa bem manjada de que “tal música não é do agrado de Deus”, me deixam de orelha em pé querendo entender de onde é que saíram tais definições.
Uma outra questão, que é pra lá de intrigante, é o que foi levantando pela Regina sobre o fato de só aos músicos ser delegada a impossível tarefa de viver no século 21 de acordo com costumes de dois ou três séculos atrás. De fato, por que é possível – sem ser pecado ou coisa parecida – e tão óbvio ser moderno em tantas outras questões e nesta não?
Por fim, creio que o Rick Warren, bem como tantos outros de “fora”, têm muito mais a nos ensinar além de estratégias evangelísticas como madrugadas de oração.

#5 Ezequiel Duarte em 30.04.09, 8:18

Concordo com o que foi dito, mas mesmo assim tenho uma dúvida. Qual a sua posição sobre o Heavy Metal Cristão ou o White Metal? O que dizer do trabalho de bandas como os http://www.theocracymusic.com/?

É possível louvar a Deus com o seu estilo de música? O que acha Rick Warren?

#6 Weverton em 03.05.09, 9:00

Adorei o artigo. Concordo 100% com ele. Eu penso dessa forma há muito tempo e fico triste com a situação da música em nossa igreja hj. Penso que nosso culto poderia adotar um padrão chamado Adoração Combinada que mescla a tradição dos nossos hinos do passado e toda a sua carga teológica e o novo para atrair pessoas que não possuem nossa tradição igrejeira. Pena que em nosso país a liderança de nossa denominação prefere cerrar as portas para almas que não se adaptam à nossa liturgia simplismente para preservar as tradições que o tempo se encarregou de santificar.

#7 Diego em 04.05.09, 11:30

Concordo com o texto. Acho que quando perdemos tempo tentado concordar ou não com outros tipos de música para adoração, seja Heavy Metal, seja Música Clássica, esbarramos muito mais na questão do gosto musical individual. A música para adoração a Deus deve vir do coração. Se uma pessoa, de coração e em verdade, consegue adorar a Deus por meio do Heavy Metal, quem somos nós pra julgar se ela está errada ou não?
Em nenhuma parte da bíblia Deus escolheu um estilo musical para si. Quem disse que música clássica, country ou jazz americanos (ritmos a que petencem boa parte das músicas do nosso hinário, vide músicas do Gaither) são as formas corretas de adorar a Deus?
Acho que precisamos ser menos críticos.

#8 Ezequiel Duarte em 04.05.09, 11:45

Olá Diego

Percebo o teu ponto de vista, só aceitando todo o estilo de música poderemos ser coerentes dizendo que Deus não deixou claro qual o estilo de música que servia para O adorar e à contrario sensu humanamente decidimos que todos servem. Esta é a única posição sobre esta matéria que considero ser coerente e não ter pontas soltas. Contudo na minha concepção humana e com base nas referências seculares que tenho, crio sempre resistência em achar que certos estilos podem engrandecer o nome de Deus ou pelo menos “falar em nome dEle”. Falo em estilos como techno, house, gangster rap e claro o metal.

Pela concepção humana que tenho de Deus e pela leitura Bíblica e da própria natureza, percebemos que Deus é um Deus que privilegia a harmonia e a ordem. As próprias regras ou leis da natureza contemplam a harmonia em primeiro lugar.

O metal, ou o techno não trazem harmonia ao ser humano, daí acho que não servem para louvar a Deus.

Tenho consciência que este conceito da harmonia como regra na música que “serve” ou não para louvar a Deus é facilmente combatido, mas não consigo encontrar outro.

Não duvido da sinceridade dos compositores ou artistas de metal cristão, mas custa-me a aceitar que Deus se sinta honrado com esse estilo de música, porque isso coloca em causa tudo aquilo que me ensinaram e tudo aquilo que eu idealizo que Deus é e o próprio Céu / Paraíso.

#9 Pablo Osorio Silva em 04.05.09, 13:30

Concordo que nós não estamos habilitados a julgar os outros, na forma como louvam a Deus. Temos no entanto a obrigação de julgar a nós próprios, e procurar saber, e fazer não a nossa própria vontade, a nossa própria cultura, mas a vontade de Deus, e a cultura do Céu.

Este foi o exemplo de Caim:

“Ao cabo de dias trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor.
Abel também trouxe dos primogénitos das suas ovelhas, e da sua gordura. Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta,
mas para Caim e para a sua oferta não atentou. Pelo que irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante.” Gen 4:3-5

#10 Diego em 04.05.09, 13:55

Olá Ezequiel,
Concordo com você no sentido que também não me sinto confortável com esse tipo de adoração (heavy metal e outros ritmos contemporâneos). Concordo com o seu ponto de vista a cerca da harmonia de Deus e na música.
No entanto, acredito que as pessoas que praticam esse tipo de adoração podem pensar exatamente o contrário, encontrando sim harmonia e comunhão divina nesse tipo de música.
Acho que a discussão acaba pendendo mais para uma questão cultural e de gosto musical.
Tenho uns CDs do Soweto Gospel Choir, coral africano que mistura música de adoração com os batuques e ritmos africanos. Sinto sinceridade em sua música e acredito que Deus aceita a sua forma de adorar.
É uma discussão meio difícil. Acho que acaba sendo como o Pablo e a Regina citaram: nosso julgamento deve ser sobre nós próprios, sobre a nossa intenção ao adorar através da música.

#11 José Pissini Neto em 05.05.09, 3:01

Interessante o ponto de vista, mas, com todo o respeito, eu discordo.
Primeiramente, sou um leigo na área músical, então com certeza não falo com a autoridade no assunto que tem a Regina Mota, porém, acho que a música gospel tem se renovado, secularizando-se. Deus tem recebido de nós algo separado ou algo comum? Conforme acredito, a música sacra, como se nota do próprio nome, deve ser separada, assim como é o sábado. E assim como o sábado e a Lei de Deus, o louvor a Ele não deveriam mudar. Não acho que Deus deve se adaptar às nossas formas de louvar, mas sim o contrário!
De qualquer forma esse debate é extenso e todos devemos estar abertos ao diálogo e pedir sabedoria a Deus com relação a este assunto! Com certeza está longe de ser encerrado…

Um grande abraço a todos e parabéns aos organizadores do site (que é bacana d+)!

#12 Rafael Araújo em 08.05.09, 14:11

Que todos fiquem sabendo que está não é a opinião da igreja.

#13 andre em 14.05.09, 13:26

Postei um artigo sobre Ellen White, bateria e instrumentos na música adventista…

no blog Adventismo Relevante (www.igrejaadventista.com)

É uma pesquisa isenta, sem compromissos com nenhuma linha…

abraçøs

#14 Evanildo em 09.07.09, 22:38

Tenho visto um intenso debate entre os que defendem este ou aquele estilo de música, uso ou não de instrumentos de percussão, etc… Tenhoparticipado do diálogo na comunidade dos Arautos do Rei no orkut e aprendido muito com todos os que, de lá, emitem seu parecer sobre os temas. Tenho diversas opiniões sobre o assunto, algumas em fase de “maturação”, outras já desenvolvidas. No entanto, em lugar de escrever uma radiografia de cada ponto de vista – e aí seria impossível a tarefa de não emitir pareceres de acordo com minha opinião – prefiro apenas limitar-me a perguntar algumas coisas à título de reflexão. São elas:
1-) A igreja, com base em seu Manual, ainda é dirigida por Deus?
2-) Por que a música voltou ao cenário das discussões e, agora estão até disparando “fogo-amigo”?
3-) Por que, só agora estão adotando práticas reconhecidamente pentecostais na liturgia adventista (tais como levantar as mãos, bateria dentro do templo, cânticos carregados de emocionalismo e repetitivos….) ? Aparentemente essas práticas só existiam entre aqueles que enquadrávamos, escatológicamente, em Apocalipse 18!!! Estão até dizendo que, sendo para Deus, qualquer estilo serve!
Não é objetivo destes questionamentos ofender, atacar ou sucitar divergências simplesmente, mas as respostas, em conjunto, pintam um quadro, no mínimo, digno de nossa séria reflexão.
Não seria o “grande interesse religioso”?

#15 Mariana Cruz em 27.09.09, 13:33

Parece-me que Deus exige de nós o nosso melhor. O nosso melhor na música deve significar uma adoração com amor, inteligente. Se, quando a música é tocada, o que predomina é a emoção do momento – o entusiasmo provocado pelo som – não me parece que isso seja adoração e louvor. Parece-me mais um estado de alienação mental, um estado de prazer unicamente sensorial. Mesmo que haja uma mensagem cristã, expressamente dita no texto da música, se esta não é equilibrada com uma composição adequada (no ritmo, na harmonia, na dinâmica, no número de instrumentos e no tipo de instrumentos – percussão inclusive -, etc.) o propósito não está a ser alcançado.
Penso que Satanás sabe muito bem trabalhar estes “meios-termos” da dúvida. E de certeza que utiliza a música para nos distanciarmos de Deus, sempre que lhe é possível. Quando os limites não são claros, “à Lei e ao Testemunho!”. Deus é muito claro na Sua vontade. A ilustração que o Pablo deu de Caim e Abel não podia ser melhor.
Temos que dar tempo à oração e ao estudo da Palavra para que cheguemos a uma conclusão. Este assunto é de extrema importância ser discutido pela Igreja e acho que a Igreja deve assumir uma posição quanto ao que deve ser utilizado e o que não deve ser utilizado, e porquê, segundo as Escrituras. A música não é inocente, tem muito poder. Pode ser utilizada para o bem e para o mal.
Se cada um reflectir a sério sobre este assunto vai chegar à conclusão que Deus quer. Este tipo de ambiguidade não é saudável para a Igreja. Sejamos, porém, persistentes na procura da solução.
Sem dúvida que a nossa Igreja hoje é dirigida por Deus – porque toda ela está estruturada para procurar constantemente a Sua vontade.

#16 Haroldo Moleiro em 16.01.10, 12:48

Primeiramente gostaria de admitir que admiro muito a autora desse artigo, para mim uma das maiores cantoras da Igreja Adventista. Agora eu gostaria de saber: Será que alguem aqui já ouviu falar que “Meu Povo perece por falta de conhecimento”?
Se nós cristãos passasemos mais tempo lendo a Palavra de Deus e o Espirito de Profecia, não teriamos a minima duvida quanto ao que foi dito pela escritora desse artigo.
O Espirito de profecia e a Biblia são claros e levam a enteder o verdadeiro sentido do louvor.
O problema é que muitas vezes queremos ganhar o mundo e ate mesmo muito dinheiro, e acabamos esquecendo dos verdadeiros principios.
Nós Cristãos fomos chamdos para ser exemplos ao mundo e diferentes do mesmo.
Não há problemas em compor musica contemporanea, desde que seja observado os principios… portanto convidos todos, e principalmente os musicos adventistas, a estudar mais a Biblia e a vontade de Deus em vez de estudar as coisas do mundo…
Cara Regina Mota, eu gostaria de uma resposta biblica ao seu artigo. Em vez do que vc aprendeu na UniCamp, que pelo que eu saiba nem é Cristã.

http://www.musicaeadoracao.com.br/
Esse site mostra os principios bíblicos (e não culturais) da musica e da adoração.

#17 Regina Mota em 17.01.10, 14:07

prezado haroldo,
o eoqha não é um blog destinado a estudos teológicos. é um canal de comunicação entre pessoas que têm princípios de vida em comum e trocam idéias sobre as coisas que as afetam no dia a dia.

concordo com você quando escreve que deveríamos passar mais tempo lendo e estudando a bíblia. ali encontramos a essência da verdadeira religião, qual seja, o amor aprendido, vivido e praticado. no texto sagrado também encontramos uma máxima que pode ser importante lembrar: “não julgueis, para que não sejais julgados” (mat. 7:1)

#18 andre em 17.01.10, 15:06

Haroldo

Há vários problemas com sua abordagem:

1. Seu convite a usa a Bíblia e EP pretende sustentar o uso da música tradicional somente ou música contemporânea (nova) que siga os mesmos moldes, que vc chama de princípios, da música tradicional;

2. Sua recomendação do site http://www.Musicaeadoracao.com.br é prova disso, haja vista que o site defende ferrenhamente a música tradicional alemã como única aceitável no culto. Além disso a abordagem teológica do site não representa a posição da IASD no assunto de música e adoração;

3. Ao criticar a formação da irmã Mota em uma universidade não-cristã, além de ser uma observação bastante pobre, vc condenou grande parte de nossos teólogos que estudaram em universidades não Adventistas: Dr. Siqueira, Unasp; Dr. Endruveit ex reitor do SALT, Dr. Ruben Aguilar, Unasp e muitos outros;

Por outro lado, não seria responsabilidade da IASD formar músicos através de cursos de Bacharelado, Mestrado e até Doutorado em Música em nossos colégios?

UM abraçø
Andre Reis
http://www.AdoracaoAdventista.com

#19 Levi de Paula Tavares em 18.01.10, 13:38

É completamente falsa a declaração que o Música Sacra e Adoração “defende ferrenhamente a música tradicional alemã como única aceitável no culto”, mesmo porque não haveria bases nem bíblicas, nem do Espírito de Profecia, nem na própria lógica ou no bom senso para defender uma posição dessas. Portanto, esta afirmação é um total absurdo.

Esta prática demonstra o caráter daqueles que fazem afirmações que sabem não serem verdadeiras, apenas com o intuito de denegrir o trabalho de pessoas com as quais não concordam.

#20 andre em 18.01.10, 13:48

Levi Tavares disse: “Portanto, esta afirmação é um total absurdo.”

Do site http://www.Musicaeadoracao.com.br:

“A herança de Laodicéia em sua música sacra é a do protestantismo – formas musicais dentro do gênero erudito. É música sacra da cultura européia, da civilização ocidental. Deus achou por bem que Laodicéia nascesse com esta herança porque, evidentemente, achava que era a melhor que havia. O paganismo e misticismo orientais com sua música de escalas pentatônicas; os elementos rítmicos e melódicos que deitam suas raízes no poluente paganismo africano; as escalas e ritmos usados pelos amerígenas em suas reuniões festivas e danças, a tonalidade árabe com seus quartos de tom, não oferecem contribuição alguma que seja melhor, ou de proveito, para a herança que Laodicéia tem. Assim, se estas culturas forem absorvendo dentro de Laodicéia a sua própria herança, estarão crescendo, subindo, elevando seu nível espiritual, chegando ao melhor.”

(Dario Pires de Araújo “Música Adventismo E Eternidade” disponível no Site http://www.Musicaeadoracao.com.br)

No further comments…

#21 Pollyanna Sampaio em 18.01.10, 16:32

Gostei muito da maioria dos pontos de vista aqui colocados. Que a música e a poesia são coisas distintas de um mesmo fim. A idéia de julgarmos o que é bom para nós, não quer dizer que seja bom para o outro e o contrario tabm existe.

Mas o que dizer sobre a cultura influenciar nosso comportamento? Será mesmo apropriado usarmos de tudo para “edificarmos” nosso espirito perante Deus ?

Será a música uma expressao de arte equivalente as outras, OU TEM UM PODEM MAIOR, de influenciar as pessoas?

Estou buscando respostas….pois essas são algumas das muitas indagações que tenho……..

#22 willian lira felício em 18.01.10, 18:32

O debate em torno do tema parece estar em uma crescente. Isso é saudável mas Segundo Todorov: “Contrariamente ao que se poderia pensar, levantar uma questão não significa que se poderá responder a ela”. Mais uma vez o ataque as pessoas acaba tirando do foco o tema. Caro Haroldo, não me lembro de poder identificar a escola do Rabi Jesus de Nazaré. Você faz uma proposta bacana sobre lermos a bíblia e depois nos orienta a ler o site do irmão Levi para termos a resposta. Tenho acompanhado algum tempo o posicionamento distinto sobre o tema. E vejo que as pessoas têm buscado luz sobre a visão que possuem.
Mas alguns não buscam luz sobre o tema. Gostei do texto da irmã Regina Mota. E se precisamos encontrar uma resposta e preciso perguntar mais sobre o tema. E não somente aos autores caseiros. Ou a revelação agora é exclusiva? Paulo orienta o cristão a reter o que é bom. Isso implica em buscar, orar, debater… Na multidão de conselheiros a sabedoria. Ficamos defendendo uma formúla para adoração. Vale a pena analisar do ponto de vista de formúla e forma. A bíblia nos dará conselhos quanto a forma mas não quanto a formúla.

Dentro do marketing sabemos que as histórias que contamos nos fazem construir os mitos, nos levam a consumir e a fazer escolhas. Comprar alguma coisa depende da história que nos mesmo nos contamos. E o fazemos para fortalecer o que escolhemos e acreditamos. É assim que escolhemos o que é melhor para nós. Criar uma história é fundamental para difundir uma ideologia também. O que isso tem haver com a música? Certamente alguém contou uma história e temos nos alimentado dela durante muito tempo sobre um padrão musical. Infelizmente ela não tem se sustentado mais nos últimos tempos diante da amplitude dos estudos nesse sentido. Não que a modernidade ou pós modernidade tenham entrado em nosso meio. A pluralidade sempre esteve entre nós, assim como a privacidade das escolhas. Mas o discernimento é sabedoria ainda vem de Deus. Ao ler a bíblia percebemos que algumas interpretações julgam ter a prerrogativa definir o que é certo e errado. Onde a condenação de coisas na bíblia simplesmente por elas existirem. Gostei muito do site do André e desse da Regina. Quanto a opinião da IASD sobre o assunto… Haroldo, Levi… continuarei com bíblia e discernindo com o que tenho ouvido e lido.

Apenas pergunto aqueles que continuam atacar os instrumentos que lembre-se o cajado de Moíses o fez pecar sim, mas trouxe libertação e vitória. Foi sempr eo mesmo cajado. Instrumentos são instrumentos. O prósito faz a diferença. Permaneçam em Deus.

#23 Levi de Paula Tavares em 28.01.10, 20:02

A afirmação continua sendo um total absurdo por, no mínimo, dois motivos:

Primeiro, o autor está falando música da “civilização ocidental”, o que é bem diferente da afirmação feita.

Segundo, embora possamos concordar, em linhas gerais, com o conteúdo de um artigo, não precisamos concordar com cada frase e, por isso, os textos postados no Música Sacra e Adoração são de responsabilidade de seus autores e não, necessariamente, dos editores do site.

Dizer que “o site defende ferrenhamente a música tradicional alemã como única aceitável no culto” é uma falsidade caluniosa, que só visa denegrir e não contribui para um debate produtivo.

#24 andre em 28.01.10, 20:13

A “tese” do livro disponibilizado no site Música e Adoração é toda baseada no conceito de que a única música aceitável é a música sacra erudita:

“A herança de Laodicéia em sua música sacra é a do protestantismo – formas musicais dentro do gênero erudito. É música sacra da cultura européia, da civilização ocidental.”

O que leva a duas possibilidades:

a. os editores do site Musica e Adoração não leram o material antes de disponibilizá-lo;

b. os editores na verdade o disponibilizaram porque concordam com a abordagem do livro.

Creio que é óbvia a alternativa correta.

Resta portanto o fato insofismável de que o site promove materiais (e esse não é o único) que leonizam a música sacra erudita como única opção viável de música sacra.

Isso é um desserviço para o ministério da música adventista atual: quem não se encaixa nesse paradigma é tachado de “rebelde”, “liberal”, “apostatado”, ou que estão desencadeando a apostasia ômega.

Isso sim é um verdadeiro absurdo.

#25 Levi de Paula Tavares em 29.01.10, 9:55

Embora o último comentário não reflita a opinião dos editores do Música Sacra e Adoração, fica evidente ao leitor esclarecido que o autor do comentário, embora não admita, reconheceu o erro de sua difamação inicial.

#26 andre em 29.01.10, 12:18

Muito pelo contrário, reitero aqui a afirmação inicial de que o site Musica e Adoração defende a música sacra erudita alemã como única adequada para o culto adventista.

O site promove as idéias de Dario Pires de Araújo, editor do Cantai ao Senhor em que 99% dos hinos eram de origem alemã, tirados em grande parte do Zions Lieder, hinário adventista alemão.

Quando aprendi alemão na minha adolescência, lembro de praticar o que aprendia com o hinário Cantai ao Senhor, que tinha os nomes de quase todos hinos em alemão…

Quem estuda a história da música sacra tradicional atual verifica a influência monopolizante da música erudita alemã dos séculos 17-19. Mesmo os hinos da herança inglesa eram cópias do estilo alemão.

Com certeza Dario Pires e Levi Tavares não recomendam “qualquer música erudita ocidental” como o estilo de Laodicéia, haja vista que a música erudita dodecafônica do século 20 seria uma completa aberração pelos padrões que ele delineia no livro segundo a música erudita alemã dos tempos de Bach, Mozart, Beethoven e Mendelssohn.

O ponto é que querer promover a música sacra erudita ocidental “alemã” como a música de Laodicéia é um tremendo despaltério histórico e teológico.

Ainda bem que esse império das trevas está lentamente ruindo.

http://www.AdoracaoAdventista.com

#27 Levi de Paula Tavares em 03.02.10, 15:15

Como sei que essa conversa não leva a nada, meu impulso inicial foi não responder ao último comentário. Mas, em respeito aos pensantes que acompanham esses comentários e que podem não ter acesso a essas informações, coloco os seguintes dados, os quais demonstram a falácia e vileza dos argumentos apresentados:

O hinário Cantai ao Senhor possui um total de 620 hinos, sendo que o título original de 36 deles é em Francês (5,8%), 66 em Alemão (10,6%) e 435 têm sua origem no idioma Inglês (70,2%), sendo, em sua grande maioria, de autores americanos.

Que os pensantes tirem as conclusões necessárias…

#28 André em 03.02.10, 15:30

Levi,

Esses “fatos” sobre o Cantai ao Senhor não mudam absolutamente nada na minha declaração anterior, pois como eu disse mesmo os hinos não alemães refletem o estilo alemão do século 19.

E pouco importa se eram 10% com título alemão, o fato é que o hinário inteiro era em estilo erudito do século 19 que fora dominado pelos alemães.

Seu comentário tb não ajuda a ‘esclarecer’ a posição de Dario Pires, propagada por Levi Tavares de que

“A herança de Laodicéia em sua música sacra é a do protestantismo – formas musicais dentro do gênero erudito. É música sacra da cultura européia, da civilização ocidental. Deus achou por bem que Laodicéia nascesse com esta herança porque, evidentemente, achava que era a melhor que havia. O paganismo e misticismo orientais com sua música de escalas pentatônicas; os elementos rítmicos e melódicos que deitam suas raízes no poluente paganismo africano; as escalas e ritmos usados pelos amerígenas em suas reuniões festivas e danças, a tonalidade árabe com seus quartos de tom, não oferecem contribuição alguma que seja melhor, ou de proveito, para a herança que Laodicéia tem. Assim, se estas culturas forem absorvendo dentro de Laodicéia a sua própria herança, estarão crescendo, subindo, elevando seu nível espiritual, chegando ao melhor.”

Em suas próprias palavras: “Que os pensantes tirem as conclusões necessárias…”

#29 Jonas em 03.02.10, 18:38

Esse parágrafo aí é de lascar…

O mais interessante disso tudo é que em um hinário brasileiro não tenha sido incluído um só hino de um compositor brasileiro!

Isso acaba confirmando o que já sabemos sobre os tradicionalistas, eles preferem mesmo a música sacra erudita “importada” à música sensível à cultural local.

Falam tanto de não escolher música baseada em seu “gosto pessoal” mas se esquecem que a música tradicional é fruto de seu próprio gosto!

Como se Deus tivesse o mesmo gosto deles…

#30 Alessandro Andrade em 04.02.10, 8:01

Jonas,

Na verdade temos hinos de ótimos compositores brasileiros incluídos no Hinário Adventista, como:

Gratidão e Oh! Adorai, de Flávio Santos;
Além do Rio e Não me Esqueci de Ti, de Jader Dorneles Santos;
Mãos e Jesus, Tu és a Minha Vida, de Williams Costa Jr;
Canção da Vida e Sal da Terra, de Lineu Soares e Edson Romero;
Deus Sabe, Deus Ouve, Deus Vê, de Valdecir Lima e Flávio Santos;
O Senhor Está Aqui, de Silmar Correia…

Só para citar alguns. =)

#31 Diego em 04.02.10, 8:42

Alessandro, acho que o Jonas está falando do Cantai ao Senhor, não do hinário atual.. =)

#32 Jonas em 04.02.10, 13:21

Isso Diego, estava falando do Cantai ao Senhor… =D

O Hinário Adventista atual contém “aberrações não-eruditas” para os tradicionalistas… rsrs

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