Música sacra através dos tempos
dezembro 12, 2008 | por Joêzer Mendonça | 17 Comentários | Envie por email | Salvar/Bookmark

Entreouvido num auditório de uma importante universidade do interior paulista onde um grupo vocal acaba de testar a comunhão da platéia:
“Esse novo grupo está trazendo a música popular para a igreja. Música sacra era mesmo no tempo dos discos dos Heritage Singers”.
Em um templo dos anos 80:
“Esses Heritage Singers são a cópia dos Carpenters. Música sacra mesmo era nos tempos de Henry Feyrabend e os Arautos do Rei”.
Em uma igreja dos anos 60:
“Esses que se dizem Arautos do Rei são uns arautos é da tradição dos quartetos de barbearia dos Estados Unidos. Música sacra mesmo existiu nos tempos de Ira Sankey”.
Em um acampamento de reavivamento durante a Grande Depressão em 1929:
“Agora temos que cantar essas valsas de Ira Sankey. Só ouvi música sacra quando cantávamos os hinos de Lowell Mason”.
Em encontro de ministros de música americanos em 1890:
“Esse Lowell Mason imita a tradição européia daqueles músicos maçons. Bom mesmo é quando adaptávamos as canções tipicamente americanas de Stephen Foster”.
Em uma congregação na Chicago de 1860:
“Como podemos adorar com esse piano de cabaré e estas canções adaptadas do teatro de Stephen Foster? Ah, como era bom quando erguíamos nossa voz ao som dos hinos dos irmãos Wesley”.
Em uma palestra sobre música em 1800:
“Irmãos, abandonemos esse cancioneiro popularesco dos Wesley e adoremos com os antigos e sacros hinos do doutor Isaac Watts”.
Nos cultos dos recém-independentes americanos em 1776:
“Essas notas do irmão Watts ferem os ouvidos mais convertidos. Música sacra eram apenas os salmos de João Calvino. Oh, que belos hinos se cantam lá na Europa”.
Em uma igreja luterana alemã do século 1730:
“O novo organista, o tal Bach de quem falam, tem um estilo um tanto ultrapassado e escreve notas demais nas suas cantatas. Por que ninguém compõe mais como Lutero?”
Em um concílio eclesiástico no século XVI:
“Esse Lutero destruiu a beleza da santidade da liturgia. Agora o povo anda a cantar melodias de cavaleiros”.
“E, como se não fora o bastante, cantam em língua de homens! Por isto e muito mais, excomunguemo-lo”.
Do lado de fora do templo de Salomão recém-inaugurado:
“É, a música é decerto boa. Mas o pai dele escrevia letras mais sacras”.
“Davi? Qual o quê! Fomos obrigados a cantar salmos com a melodia de ‘Os lírios’ ou de ‘Os lagares’, lembra?”.
“É que as pessoas aprendem um cântico novo mais rápido quando já conhecem a melodia”.
“Aquietem-se, os dois! Vós sois jovens em demasia. Se a ciência já tivesse se multiplicado eu vos mostraria uma gravação do tempo dos cânticos de Moisés. Aquilo, sim, é que era a verdadeira música sacra”.
Acima, a tela “Anjos cantando e tocando música”, 1432, de Jan van Eyck.
Sobre o autor
Pianista e compositor do Curitiba Coral/IASD-Central, é também arte-educador e Mestre em Música pela UNESP. Edita o blog Nota na Pauta, onde escreve sobre atualidades e antiguidades relacionadas à mídia, cultura e religião.
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17 Comentários ↓
Gostei da forma que foi colocada as fases da musica, me fez pensar mais sobre adoração, louvor e Deus que é adorado por toda a terra. Parabens pela clareza das ideias. Um feliz sabado.
Otimo post! deveria ser lido por muita gente da igreja, que Deus continue a abençoar seu ministerio.
Música sacra do tempo de Moisés? Não mesmo… Com toda influência que receberam dos Egípcios… Música sacra mesmo era cantada por Abraão e seus filhos!
Parabéns Joêzer! Excelente texto.
..existe na bíblia algum registro de Jesus cantando??
será que ele gostava de cantar,hein??
Um registro de Jesus e os discípulos na última ceia: ‘Tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras’ (Marcos 14:26).
Um livro com tantos registros de cânticos – do Gênesis ao Apocalipse – sinaliza para a musicalidade dos seres celestes.
Inspirado texto! Há que se repensar um pouco sobre a música cantada hoje para adoração, principalmente adoração no templo. Costumo dizer que, embora nos apresentemos, algumas vezes, de forma inconveniente para louvar cantando ou tocando, penso que anjos estão presentes para “corrigir” as notas entoadas, antes que elas cheguem aos ouvidos de Deus!
Huuumm é mesmu, agora me lembro rsrsrs
então como podemos reconhecer uma música sacra , de verrrdade
Interessantíssisma a digressão história. Não há dúvida de que nós demoramos a nos adaptar ao novo. Mas não custa lembrar que nem tudo é “pré-conceito”, no sentido pejorativo da palavra. Voltamos a velho campo de batalha: Quais princípios norteiam a música de adoração?
Genial!!!!!
Daqui a uns 30 anos música sacra será o que era apresentado pelos grupos musicais de 2008…
… e o mundo gira!
[ ]‘s
“Deus é a motivação do cântico e do louvor.” Contudo o que se tem observado em certas ocasiões com os chamados “cânticos especiais”, é que “o objetivo de louvor a Deus nem sempre está em primeiro plano, pois a tendência é introduzir nos cultos o que é valorizado pela sociedade.” Daí o surgimento de uma camada profissional que se utiliza de reuniões da igreja para divulgar seu produto. Vê-se em muitos casos (e não estamos generalizando o assunto), que os cantores aperfeiçoam todo um sistema vocal e instrumental para terem sucesso, sem a preocupação principal de cultuarem a Deus. “Muitos cantores cristãos procuram identificar-se com os profissionais liberais. Procuram a aprovação dos ‘experts’ seculares e seu estilo se casa com o mundo; ficam parecidos com o mundo que tentam mudar! Ao invés de olharem para os santos, os cantores de hoje procuram espelhar-se nas celebridades evangélicas seculares. Assim, não possuem um modelo de crescimento espiritual e de santificação, pois os valores nos quais se espelham não são os modelos de Deus para a Sua igreja.” – O Ministério de Louvor na Igreja, 32 e 33
é mesmo Harerton, mas oro para que daqui a 30 anos estejamos no céu cantando com os anjos (e com todos os musico citados neste texto) e não por aqui ainda…
“A música profana ou a que seja de natureza duvidosa ou questionável nunca deve ser introduzida em nossos cultos” (Manual da Igreja, 111); sob quaisquer circunstâncias e pretextos, e por mais justificáveis que os motivos aparentem ser, não esqueçam que a função de Lúcifer no céu era executar com maestria a música celeste, no entanto hj ele usa toda seu conhecimento para nos enganar!!
mais uma vez,joêzer,que a graça de D-s lhe acompanhe…não é fácil exprimir uma opinião sobre o assunto”música na igreja”…no entanto o seu texto é uma das poucas manifestações sobre o assunto em que é clara a ponderação e a isenção…não é segredo que temos visto certos exageros na execução de hinos e músicas em nosso meio…contudo,isso não nos autoriza a condenarmos ninguém…e nem de nos arrogarmos o papel de consciência dos nossos irmãos na fé…o que não nos exime de formarmos uma opinião que sirva de norte para a igreja…nesse sentido tenho seguido dois conselhos:um,o que ellen white nos garante no livrinho ”igreja remanescente”, a saber, que D-s toma conta da sua Igreja, portanto,não nos preocupemos…com a nossa anuência ou não a Igreja seguirá o caminho que a vontade de D-s permitir…outro, o que o primeiro ancião da igreja da cachoeirinha em sp, ramom santana, expressou com sabedoria celeste…”ás vezes o melhor a ser feito é não chamar atenção para um erro que sabemos ser D-s o único capaz de corrigir sem perder aqueles que estavam errados, e além do mais, podemos acabar fazendo propaganda do erro, como disse gamaliel: ”se a obra não é divina, deixai que perecerá, se for de D-s, não lutemos nós contra o Eterno”…é isso…é importante que tenhamos uma opinião sobre o assunto-que eu julgo questão de salvação- porém se não tiver Amor…cada palavra será vã, como o metal que soa desfinado e o sino que tine sem tom… abração dani
… o hinário, onde está ele na escala cronológica? Em sua maioria abaixo dos irmãos Wesley? Como ele sobreviveu?
Abraços!
Vazio, vago…
mas provocador, irreverente, ousado…
de certo, atrairá muitos olhares.
A eclesia que atrai tanto o judeu, quanto o arabe. O cristão, o ateu. O velho, o novo. A todos, numa só direção. A direção da infinidade de direção.
Mas qual a direção?
É, não-eclesia não atrai a todos.
Para mim a concepção sacra que está trazendo hoje,
é um falso-sacro…
as pessoas se vangloriando, não buscando Deus para adorar.
E outra como dizia Ellen White o culto a Deus não pode haver ruídos nem gritos.
Pra mim a quantidade de ruídos está abafando o som das cordas.
Nada mais bonito do que um piano e uma voz. Um violão dedilhado, um violino bem afinado e uma sintonia entre as vozes.
Feliz Sábado aos amigos leitores deste blog.
Esta analogia dos comentarios de tempos em tempos da “evolução” da música foi muito boa. Mas pode ser uma faca de dois gumes. Os mais mais “modernos” poderão se defender, e os mais “tradicionais” também.
O que na realidade o que deveríamos fazer é uma analise sobre a minha adoração a Deus. Quanto canto, quer seja congregacional, solo, dueto, trio, quarteto, quinteto, conjunto ou coral, estou eu adorando o meu Criador e Salvador Jesus Cristo? Estou expondo os meus dons para depois ouvir: parabens, que Deus continue te abençoando! ou Você arrazou!!!!!!! E, polemica da bateria, quem está tocando, a maneira que toca, está este se exibindo ou louvando a Deus? Eita coração enganoso é este que todos nós temos. Podemos até enganar a nós mesmo quando cantamos, achando que estamos fazendo para Deus, mas no fundo estamos fazendo para nós mesmos!!! Eu estou num processo entre uma época e outra. Eu me lembro dos Heritage Singers… quando cantavam a musica A Familia De Deus…. os comentarios eram horrorizantes, era um escandalo para nós brasileiros. Devemos levar em conta o princípio bíblico da Música. O estilo da musica de tempos em tempo pode até mudar. Mas o princípio não muda jamais. Que Deus nos ajude a adorá-lo de maneira correta, em espírito e em verdade.
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