Menino que sorria
agosto 31, 2008 | por Felipe Tonasso | Envie por email | Salvar/Bookmark

meu conto…
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Numa pequena cidade um menino sorria. Sorria sempre. Sorria tanto que se tornou o menino que sorria. Pouco lhe importava os motivos. Um tropicão do Sr. Ernesto no meio fio, a despedida sempre chorosa de seus avós que moravam no interior, a doença de seu cachorro, tudo era motivo de riso.
Num dia, como qualquer outro em que saía a sorrir com sua mãe pela cidade, ao atravessarem a rua, um carro azul os atropelou. A mãe do menino que sorria morreu e este, perdeu o sorriso. Todos na cidade ficaram tristes e entenderam o menino. Mas depois de alguns meses estranharam, porque já não sorria. Juntos exauriam as forças buscando lhe arrancar um sorriso.
Decidiram então recorrer ao prefeito da cidade. Este comovido com o caso do menino, destinou uma verba milhionária para tratamentos psicológicos e tudo mais que a medicina podia oferecer. Contrataram ali inúmeros circos internacionais, palhaços famosos vinham de todo o planeta, fazedores profissionais de cócegas, humoristas, espiritualistas, nada disso adiantava. Foram então até o presidente do país e este por sua vez pediu ajuda em rede mundial para o menino. Mihões em prêmios eram oferecidos a quem o fizesse sorrir. Campanhas foram feitas. A CNN abriu um canal 24 hrs. sobre o caso do menino que já não sorria. Muita gente enriqueceu aproveitando-se do fato. Muitos outros meninos tentaram forjar o mesmo sintoma, mas nenhum deles resistia a todos os testes, e riam logo nas primeiras palhaçadas e simples cócegas. O mundo esperava o sorriso do menino.
Longos anos passaram e o menino cresceu. Fez-se homem que não sorria. Certa tarde, cansado da mesmice da vida, resolveu voltar a pé para casa. No caminho encontrou um menino que chorava. O menino que chorava tinha um cachorro gemendo em seus braços e soluçando em lágrimas olhava para o chão. O homem que não sorria então lhe disse:
- Não chore menino. Se me der um sorriso eu prometo cuidar de seu cachorro.
O menino que chorava hesitou por um momento, mas notou sinceridade nos olhos do homem que não sorria e então lhe abriu um largo e sincero sorriso. Sem perceber o homem que não mais sorria começou a sorrir denovo e tomou o cachorro em seus braços.
Ao atravessar a rua com o menino, levando o cachorro nos braços, um velho carro azul os atropelou. O homem e o cachorro morreram e o menino que agora já sorria, perdeu o sorriso. A motorista atordoada desceu do carro e viu o corpo do homem no chão, com o cachorro nos braços e um largo sorriso no rosto. Ela entendeu que aquele sorriso, era o sorriso de um outro alguém.
“tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.” > atos 20.35
Sobre o autor
Músico e compositor, formado em Ed. Art., hoje estudante de teologia e pós-graduando em aconselhamento familliar. Tonasso é amante da boa música, da arte, das pessoas e seus infinitos mundos e das coisas simples, as realmente simples.
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