A palavra “estresse” é um anglicismo um tanto quanto recente, mas já se tornou uma das palavras mais repetidas no dia-a-dia do brasileiro. Primeiramente há o verbo “se (sic) estressar” que é aplicável a todas as situações em que alguém se irrita ou perde a paciência com outrem, ou com alguma situação. Antigamente, as pessoas perdiam a compostura, o respeito, a cortesia, a educação… Hoje em dia a gente se estressa.
A quantidade de conjugações possíveis é impressionante. Eu me estresso com a intolerância humana, tu te estressas com a carga tributária do país, ele se estressa com o chefe. Nós nos estressamos com os preços absurdos dos pedágios, vós vos estressais com os buracos nas estradas sem pedágio, e eles se estressam com os parentes abelhudos. Pela variedade da seqüência que acabei de criar, eu me atrevo a dizer que a lista é infindável.
Se não bastasse o verbo, há o substantivo, bem mais perigoso que seu colega, pois aparece em revistas, jornais, livros e palestras como o carrasco causador de inúmeras doenças. É o inimigo a ser vencido. Há livros e mais livros escritos sobre formas de lidar com o estresse. Para os que querem livrar-se dele de vez, há remédios, massagens, ginásticas, comidinhas, chazinhos, e, pasmem, até perfumes com aromas anti-estresse!
Mas, por que é que estamos tão estressados? E mais! A pergunta que realmente não quer calar é: por que “diachos” não conseguimos nos livrar dele de uma vez por todas? Jorge Forbes diz que “o mal chamado estresse nada mais é do que a conseqüência do medo de decidir, que provoca o empanturramento das opções.”*
Está aí uma palavra que diz tudo! Estamos empanturrados de alternativas às quais somos incapazes de dizer “não.” Temos medo de ser menos queridos por aqueles a quem desejamos impressionar, ou nunca mais ter aquela oportunidade, ou ainda, ser considerados incompetentes, lerdos, incapazes.
Como mudar isso? Como desempanturrar nossas agendas? Como aprender a selecionar algumas atividades e deixar outras de lado? Não tenho idéia, querido leitor. Mas enquanto não aprendo, recorro à musica para desestressar. Cada um tem sua própria trilha sonora anti-estresse. Eu mesma, em dias diferentes, recorro a diferentes trilhas. Hoje, porém, eu sugiro o Concerto No. 2 de Rachmaninov, para piano e orquestra. Há muitas gravações, já que esta é uma de suas obras mais conhecidas, mas as interpretações de Nelson Freire (sutil e delicada) e de Bernd Glaser (mais visceral) estão perto do meu coração, no momento.
*FORBES, Jorge. Você Quer o Que Deseja? Ed. Best Seller, 2003.
3 Comentários ↓
Recomendo uma outra atividade anti-estresse: ler os fabulosos posts da Regina Mota.
Gostei muito. Agora Regina, se não for pedir muito, você pode nos revelar mais algumas dessas trilhas que tem o poder de conduzir o Céu pra dentr de nossa sala de estar?
não sei nada sobre a música do céu. tento imaginar, mas o apóstolo paulo diz que aquilo que nunca subiu à nossa imaginação é o que nos espera na eternidade, o que torna minha imaginação meio deficiente… mas, se vc, evanildo, quiser saber sobre outras de minhas trilhas sonoras, posso dizer que essa semana a “bola da vez” foi a 5a Sinfonia de Mahler em casa, para refletir, e o Jamie Cullum no carro, para não dormir na direção… rsrs
ps.: tem um aspecto interessante nisso tudo, que é o fato de que no céu não haverá estresse, acho que as músicas terão outras funções, mas creio que a função relaxante ficará obsoleta.
Regina,excelente texto.Parabens.Temos em comum varias trilhas sonoras……
A de sabado no meu carro, a mto tempo tem sido vc.
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