Sons do Silêncio
setembro 22, 2008 | por Edson Nunes | 6 Comentários | Envie por email | Salvar/Bookmark
Sound of Silence é uma das melhores músicas que já ouvi. Era cantada por Simon e Garfunkel em um arranjo inesquecível, suave, sussurrado. Emocionante. Uma parte da letra dizia: “pessoas conversando sem falar; pessoas ouvindo sem escutar”. A idéia da música era claramente irônica. Não era o som que estava perdido, mas a capacidade de reflexão.
O silêncio era de idéias. Na última estrofe a letra diz “e as pessoas se curvavam e oravam ao deus neon que elas fizeram; e o sinal iluminava seu alerta, nas palavras que formava, e o sinal dizia ‘as palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrô’ (…)”. O que os autores ressaltavam era que as pessoas estavam buscando ‘luzes’, no sentido de que queriam shows, entretenimento, diversão. Não queriam o real, não queriam o profundo, não queriam a verdade. Estavam satisfeitos com a imagem dela projetada pelo neon. Mesmo que a mensagem tivesse o intuito de dirigi-los a outro rumo.
Na verdade, todos têm medo do silêncio. Não o silêncio barulhento, cheio de palavras vazias que não dizem nada. O silêncio reflexivo. O medo que esse tipo de silêncio provoca é o do autoconhecimento. Do encontro consigo mesmo. É desse silêncio que fugimos quando chegamos em casa e ligamos a T.V. É dele que fugimos quando enchemos nossos dias de milhões de atividades, inclusive as religiosas.
Kierkegaard coloca que é este o silêncio que provoca a fé. Que provoca o encontro com o Invisível. Quietos, obrigamos nossa mente a refletir em quem somos, no que fazemos, no que queremos. A dureza deste encontro é que realizamos a finitude de tudo o que somos.
Somente depois disto, podemos enxergar o Infinito. A Bíblia diz que Jesus buscava o silêncio e a quietude (João 15:6; Mateus 14:23; etc.). Ficou no deserto sozinho por 40 dias (Mateus 4:1-11). Eram nesses momentos que Ele encontrava-se com Ele.
No decorrer de mais um dia, com tantos ‘luminosos de neon’, retire o seu tempo, ligue a sua tecla ‘mute’ e reflita, se encontre, e encontre-se com Ele. Ouça o que fica escondido no barulho do trabalho, do estudo, do namoro, etc. Ouça o verdadeiro som do silêncio.
Sobre o autor
"Livros são objetos transcendentes" (c.v.). Formado em letras e teologia, atua como pastor na Beth Bnei Tsion e na Nova Semente, além de mestrando em estudos judaicos (poesia bíblica) na USP. Gosta de comer bem, fazer snowboard e ler dormindo (quem lê, entenda).
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6 Comentários ↓
Belíssima reflexão sobre o ativismo do mundo moderno. O homem não consegue parar, e essa é a razão de tanta superficialidade em nossos dias, inclusive nas igrejas. Este seria mais um dos muitos paradoxos maravilhosos do evangelho; fazemos mais quando paramos, ganhamos mais quando damos, estamos mais vivos à medida que morremos para nós mesmos, e ouvimos mais quando todas as vozes se calam. abraços!
quantas vezes não andamos por entre as gentes
e nos sentimos só…
quantas vezes em meio a tantas vozes
o silêncio é quem nos diz mais…
quanta custa um momento de paz?
o que deixamos de ouvir
por fugir do sussurrar baixinho da vida?
quanta vezes não é senão um sorriso a saída…
multiplicamos as palavras para esconder a nossa ignorância…
e como eram bons os dias da infância…
em que as impressões do mundo
nos vinham sem explicações,
sem o sentido íntimo forjado
pelos ditos sábios deste terra…
há sempre uma declaração de amor
feito um poema que o silêncio encerra…
há sempre um D-us procurando a nossa amizade,
por vezes a nos dizer as mais profundas verdades,
no soprar de uma brisa ao sol-se-pôr…
……………valeu,Edson,por tantos ensinamentos,que D-us continue lhe abençoando com o dom da poesia…
dani
edson, que texto lindo.
de verdade, deixou a manhã melhor.
meu abraço para você.
edson, lindo texto.
de verdade, fez a manhã melhor.
meu abraço para você.
glauce
braaavoo!!
A gente tem muito medo desse silêncio, porque muito das vezes sabemos o que vamos encontrar e quanto surreal é a nossa vida, vivendo em um mundo de alegrias superficiais, onde na verdade é de profunda e amarga tristeza, tentamos nos ocuparmos com coisas que não nos faça encontrar com o verdadeiro eu, para mostrar para gente o quanto a gente é pobre, fraco, dependente….
Sei de uma coisa que pode me ajudar, mas muitas das vezes estou tão ocupado em me ocupar, que esqueço que o maior homem do mundo deu sua vida por mim, se importo comigo, e n se ocupou.
Quero q esse Deus maravilhoso possa me lembrar todos os dias q eu sou dependente Dele para viver uma vida real, me mostrando o meu eu todos os dias.
Querido Edson Nunes, Deus te abençoe, te conserve assim, é maravilhoso saber que ainda tem jovens inteligentes que se interessam pela palavra de Deus como você.
Amei ler “Sons do Silêncio”, e até passei para uma amiga.
Um forte abraço e qualquer dia vou dar um pulinho aí para assistir ao culto jovem. Fique com Deus
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